Alguém sabe como funciona isto?

6.09.2005

Mudança

Uns bons amigos oferecem-me um novo quarto para viver, numha casa melhor decorada e, sobre todo, plenamente normalizada, e eu, sem duvidá-lo, sem pensá-lo duas vezes, e agradecendo o convite, máxime tendo em conta que nom há que pagar aluguer, nem hipoteca, nem nada, mando-me mudar de contado.
Assim que visitade-me na nova casa. O meu quarto sigue aberto, enchendo-se, agora, nestas alturas do ano, com o cheiro, e o sabor, das cereixas.
E desculpai se nestes dias, com os trabalhos de levar as cousas dumha casa para outra, ando um pouco lento.

PD/ Já sabes que manhám é o dia de Camões, 10 de Junho? Pois entom também saberás que no 17 de Maio foi o Dia das Letras, nom? Pois entre essas duas datas é que existe a Temporada das Letras.

6.08.2005

HqB: também no Berzo/ também do Berzo

Para esta sexta-feira, dia 10, organizamos a projecçom de "Hai que botalos" no Berzo. Será em Ponferrada, a partir das 20'30h. nos locais do Conselho da Juventude.
Contamos contigo!

Viva o matrimónio?

No ultimo número, o 36, do Abrente, o vozeiro de Primeira Linha, já disponível em papel, e na rede em pdf ou html, publico o artigo que agora reproduzo cá. O número completa-se com artigos Contra a mística e o idealismo no MLNG, de André Seoane Antelo; Algumhas notas para o debate a respeito do laicismo, de Domingos A. Garcia Fernandes; Processo de normalizaçom do euskara e construçom nacional, de Mikel Irastortza; O País Valenciano e a articulaçom dos Països Catalans, de Toni Gisbert; a Editorial sob o título de Nem espanholismo, nem autonomismo. Adiante com a nova esquerda independentista; e umha contra capa dedicada às eleiçons do 19-J na CAG: Vota NÓS-UP.

Viva o matrimónio?
A reforma do Código Civil espanhol (C.C.), aprovada no Congresso dos deputados no passado dia 21 de Abril, levada adiante polo Governo do PSOE, com o apoio doutras forças políticas, para legalizar os casamentos entre pessoas do mesmo sexo, outorgando-lhes todos os direitos inerentes à vinculaçom conjugal, é, em termos puramente técnicos, bem simples e singela. Basicamente, consistiu na modificaçom de muitos dos artigos do C.C., substituindo lá onde apareciam os termos "homem" e "mulher" por "cônjugue" ou "progenitor". O novo texto reformado, que o Governo considera que poderá beneficiar um número aproximado de quatro milhons de pessoas, concede os mesmos direitos em fiscalidade, heranças, pensons, adopçons por parte de casais, etc... aos até o de agora nom permitidos casamentos entre pessoas do mesmo sexo. O texto acha-se em trámite parlamentar, tendo de passar ainda polo Senado, para voltar mais tarde novamente ao Congresso, mas todo indica que a reforma será finalmente aprovada sem grandes complicaçons, dada a maioria que o PSOE e os seus sócios tenhem na Cámara.
Nom é o Estado espanhol o único que pretende realizar reformas semelhantes. Ainda que nom é informaçom amplamente difundida, som vários os estados de todo o mundo onde há, ou se prevê que venha a haver, reformas semelhantes e mesmo algum onde o casamento homossexual já está legalizado, como é o caso do Canadá, que analisa umha lei federal para os legalizar. A Holanda e a Bélgica fôrom os primeiros estados a eliminar qualquer distinçom entre homossexual e heterossexual, eliminando todas as referências de género nas leis de matrimónio, e na Dinamarca as unions civis com os mesmo direitos que o matrimónio realizam-se desde 1989, e outros países da sua área figérom o mesmo na decada de 90.
Resulta especialmente chamativo que no Estado espanhol umha reforma destas características, que supom um "fito histórico" segundo as declaraçons de alguns dos membros do Governo e do partido que o sustenta, tenha provocado tam poucas análises e reflexons, especialmente por parte da esquerda, das esquerdas, entendendo estas no seu mais amplo e plural significado, ao tempo que provocou um dos maiores debates, umha das mais azedas polémicas, especialmente mediáticas, dos últimos anos. Procurando nas hemerotecas ou na Internet, podemos encontrar centenas, dúzias de centenass, de declaraçons, a favor ou contra, mas practicamente nengumha análise, nenguma reflexom sobre o tema. Assim, por exemplo, surpreende que por parte da esquerda, ou quando menos daqueles sectores da esquerda que nunca fôrom excessivamente partidários da instituiçom do matrimónio tal e qual até agora a conhecíamos (o casamento heterossexual), e que criticava tal instituiçom por ser um alicerce básico do sistema patriarcal e umha célula fundamental para a reproduçom do sistema capitalista, a partir dessa esquerda, digo, surpreende que nom existam praticamente análises, sobre o tema. E ainda mais surpreende que nom exista nengum tipo de reflexom sobre os motivos que levam o PSOE a promover umha tal reforma, enfrentando-se nom só à direita e ultradireita política e sociológica e à Igreja católica e mesmo algumhas outras confissons religiosas, mas também a umha parte do seu eleitorado e dos seus membros (como se pudo ver ante as posturas mantidas por destacados militantes do PSOE como Francisco Vasques). Serám essas as duas questons fundamentais que pretende tratar este artigo, escrito tendo em conta que esta vai ser um dos grandes "contributos", umha das "promessas cumpridas", um dos temas-estrela, que o PSOE, e especialmente ZP, podam apresentar no fim do seu mandato.
Pode ser a instituiçom do matrimónio umha ferramenta de transformaçom social?
Comecemos por afirmar que é umha questom de justiça social o reconhecimento de direitos a colectivos dicriminados. Todas aquelas acçons que conduzam para evitar ou acabar com discriminaçons que impossibilitam a igualdade (mesmo que seja umha igualdade só formal e nom real) entre as pessoas som sempre passos positivos que devem ser valorizados como avanços importantes. A legalizaçom, com todos os direitos e deveres, dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, fruto das luitas e campanhas dos movimentos de gais e lésbicas ao longo de várias décadas, nom fai mais que acabar com umha evidente injustiça, que nom permitia (com base em razons morais, religiosas ou ideológicas), que um amplo colectivo de pessoas pudesse gozar dos mesmo direitos que outras por motivos da sua escolha sexual. Até aí estamos de acordo.
Umha das razons que esgrimia, e ainda esgrime, a hierarquia da Igreja católica para se situar contra os casamentos entre pessoas do mesmo sexo é que vai ser umha iniciativa que vai "destruir o matrimónio tal e qual até o de agora o conhecíamos". Converte-se esta numha razom para quem é a favor desta iniciativa e ao mesmo tempo é contra a instituiçom do matrimónio, quando menos o matrimónio tal e qual até agora o conhecíamos. A situaçom, para nos explicarmos melhor, é semelhante à que se criou quando ainda existia o Serviço Militar Obrigatório no Estado espanhol, quando havia um amplo e forte movimento contra o mesmo, e as mulheres começavam a incorporar-se ao exército. Era positivo, era defendível, era revolucionário, que as mulheres tivessem que fazer também a mili, ou que se incorporassem ao exército? Era sem dúvida um reconhecimento dos direitos das mulheres, mas era um passo adiante?
Neste caso sucede o mesmo: porque o movimento das lésbicas e os gais (ou, quando menos, umha parte destacada do mesmo), tem tanto interesse em participar dumha instituiçom tam retrógrada, tam patriarcal, tam capitalista como o matrimónio? Nom teria sido muito melhor um movimento que questionasse essa instituiçom, de origem evidentemente religiosa, na procura dumha outra forma de relaçom social, muito mais livre, muito mais democrática, muito mais progressista? Evidentemente, nem só as pessoas homossexuais som as que deveriam ter criado esse debate, mas o conjunto das pessoas, organizaçons, colectivos e movimentos que nos definimos como contrárias ao mundo capitalista actual, o mundo realmente existente, e luitamos por um outro mundo possível. E pode que aí tenhamos a resposta.
Os e as homossexuais nom som, per se, transformadores. É umha evidência, mas muitas vezes as evidências som questons que há que deixar patentes porque se esquecem com facilidade. As organizaçons de gais e lésbicas que com mais decisom apoiárom e defendêrom publicamente a reforma do C.C., aquelas que nom tenhem reparos em mostar a sua proximidade com o PSOE, ou em menor medida com I.U. como sócio do anterior, nom som, nem muito menos, organizaçons transformadoras, mas puramente reformistas. Umhas declaraçons de Beatriz Gimeno , recém eleita, por segunda vez consecutiva, Presidenta da Federaçom Estatal de Gais, Lésbicas e Transexuais (Felgt), que agrupa 32 associaçons, resultam esclarecedoras. Perguntada sobre a anunciada manifestaçom que a ultradireita espanhola convoca para 18 de Julho em Madrid contra a reforma do C.C. e do casamento homossexual, a sua resposta é: "Nós respeitamos que se manifestem. Mas os direitos nom se ganham na rua, ganham-se no Parlamento". E ainda, mais adiante, afirma que "as associaçons (de gais e lésbicas) vamos ter que mudar a forma de actuar (...) Passamos dumha luita de trincheiras (...) a umha luita mais de gabinetes, projectos e programas; mais social e de colaboraçom com as instituiçons". Como tem acontecido noutras ocasions de governos social-democratas, a "institucionalizaçom" dos movimentos sociais, a sua integraçom na vida dos gabinetes e a sua desapariçom do espaço próprio dos mesmos, a rua, é um dos objectivos das políticas governamentais.
E é que, homossexual ou heterossexual, o casamento continua a ser umha instituiçom básica para perpetuar a actual ordem social. E isso nom vai mudar case quem casar. Umha outra cousa é que se adapte às mudanças sociais ou nom. Mas o que nom é é umha ferramenta para transfomar a sociedade. Antes ao contrário.
Resulta evidente que para o conjunto do movimento gai e lésbico, era muito difícil nom entrar na polémica suscitada por esta iniciativa do PSOE, tendo em conta as barbaridades que por boca de diferentes representantes da direita e da Igreja católica, fundamentalmente, apareciam na imprensa, pretendendo, e parcialmente conseguindo, criar um certo clima de confusom e crispaçom. Assim, por exemplo, José Luis Requero, relator da Comissom de Estudos e Informes do Conselho Geral do Poder Judicial (CGPJ), chegou argumentar que permitindo os matrimónios homosexuais o Estado se veria indefenso ante outras possibilidades que poderiam aparecer no futuro, como a petiçom de legalizaçom da poligamia por parte da comunidade mussulmana, ou dos casamentos entre irmaos, ou da uniom entre pessoas e animais; posteriormente a tal comissom aprovou um "estudo jurídico" que tratava o tema nos mesmo termos, com os votos dos vogais propostos polo PP. Nos mesmos dias, Fraga Iribarne, ex-ministro franquista e actual presidente da Junta da Galiza, afirmava que ser gai é "umha anomalia dos cromossomas", considerando "um erro" reinvindicar o orgulho gai . Declaraçon em sintonia com as realizadas por Jesús Catalá, bispo de Alcalá, que defendeu que "ser homossexual é umha anormalidade psicológica" . Enquanto isso, o recém eleito Papa da Igreja católica, Ratzinger, fazendo gala das doutrinas mais rançosas e decadentes, acusava Zapatero e o seu governo de pretender "destruir a família", e membros da cúria definiam a reforma do C.C. como "umha vergonha", "um cancro", umha lei "injusta e prejudicial", "mostra dumha Europa em decadência", e realizavam apelos ao funcionariado para exercer umha hipotética obejcçom de consciência para impossibilitar de facto que se podam levar a efeito as reformas.
Fôrom muitas as declaraçons da ultradireita contra os direitos das pessoas homossexuais, e nom é possível, nem recomendável, reproduzi-las todas. Mas acabemos com as de Lluís Fernando Caldentey, presidente da Cámara de Pontons (Barcelona) polo Partido Popular, que chegou a afirmar que "um gai é umha pessoa tarada, que nasce com umha deformaçom física ou psíquica".
Com toda a probabilidade, após toda esta polémica, o que sucederá é que, logo que deixe de ser notícia e merecedora de manchetes, a discriminaçom por motivos de escolha sexual, que seguirá a existir, fique silenciada nos meios. Porque as campanhas de propaganda (e a ultradireita tomou este tema como umha campanha de propaganda) tenhem sempre data de caducidade. Nom pensava o PSOE que quem lhe ia fazer a campanha publicitária sobre as suas "promessas cumpridas", e grátis, eram o PP e a Igreja católica. Porque o PSOE também tomou este tema da mesma forma: como umha campanha de propaganda.
Umha mostra de mudança de talante para que todo continue na mesma
E é que a reforma do C.C. que vai permitir o casamento homossexual nom é mais do que umha nova mostra do mudança de talante. Umha nova mostra da política de ZP e o seu governo: modificaçons epidérmicas, política de salom de beleza, que permite vender a imagem dum governo progressista, comprometido com os movimentos sociais e com os colectivos discriminados, e sem custos de nengum tipo, enquanto na camada profunda da pele, na derme, onde estám os vasos sanguíneos e os nervos, todo continua exactamente na mesma. Umha grande campanha de publicidade para vender, num novo invólucro e com umha nova marca, o mesmo produto que já vendeu o PP, e antes o PSOE nos seus governos felipistas.
Na política económica, na política laboral, na política internacional, na questom nacional, poucas mudanças, ou nengumha. O mesmo ZP que nom tem problemas em fotografar-se com os sectores mais "yuppies" e burgueses do movimento gai é o mesmo que declara que nom tem intençom de rebaixar o horário laboral; antes o contrário: há que trabalhar mais. O PSOE, nesta nova etapa de governo, sabe que precisa de acumular e consolidar os votos progressistas e juvenis que lhe permitírom ganhar as eleiçons de Março de 2004, para poder chegar às próximas eleiçons com um apoio que lhe garanta a consecuçom dumha maioria absoluta e desfazer-se dos seus actuais, e incómodos, sócios de governo (ERC, IU,...). Para tal, deve combinar as políticas neoliberais que vem aplicando com campanhas de publicidade e cortinas de fumo que lhe permitam consolidar a sua imagem de força distinta, diferente, mesmo contrária, às políticas do PP. A reforma do C.C. para permitir o casamento homossexual é o melhor exponente disto.

6.06.2005

Fala Ceive ante as eleiçons na CAG

Com motivo das eleiçons autonómicas na Comunidade Autónoma Galega o próximo 19 de Junho, a Associaçom Cultural Fala Ceive do Berzo tem-se dirigido aos partidos políticos que participam nas mesmas para fazer-lhes chegar umha série de consideraçons e propostas em torno da língua galega.

Em primeiro lugar, Fala Ceive solicita um maior compromiso activo na protecçom e fomento da língua galega no Berzo. Entende a entidade normalizadora berziana que na previsível futura reforma do Estatuto de Autonomia da CAG deve constar, expresamente e com toda claridade, a determinaçom institucional em defesa do chamado "galego estremeiro", quer dizer, a língua galega falada nos territórios galegófonos baixo administraçom nom-galega do Eu-Návia (nas Asturies), o Berzo e A Seabra (em Castela e Leom) e no Val de Elhas (na Estremadura). Neste sentido, Fala Ceive reclama que se diferencie, para aplicar as planificaçons normalizadoras oportunas, entre a problemática lingüística destes territórios, do chamado "galego exterior" (denominaçom na que se recolhe a existência da língua galega na emigraçom, nos leitorados de língua galega em diversas universidades do mundo inteiro, nas actividades que poda levar avante o Instituto Cervantes ou outro semelhante, etc...).

Fala Ceive também incide na necessidade de estreitar as relaçons sociais, económicas, culturais, lingüísticas,... entre as comarcas da CAG e os territórios da faixa oriental, de cara a superar os atrancos administrativos que provocam os actuais limites interautonómicos. Por este motivo, proponhem-se activar e potenciar o estabelecimento de convénios de colaboración interinstitucionais, que no caso da comarca berziana deveriam assinar-se com o Conselho Comarcal, os concelhos berzianos, a Junta de Castela e Leom, a Deputaçom leonesa, a Universidade de Leom, etc... Convénios que deveriam referir-se a materias tais como o ensino do galego, cultura (doaçons de livros e intercámbios culturais), recuperaçom toponímica, uso da língua galega nas administraçons locais, turismo (promoçom comum, férias,...) infraestruturas (estradas, internet rural, meios de comunicaçom, caminhos de ferro,...), etc., bem como a gestom de programas europeus comum ou a criaçom de mancomunidades interautonómicas de concelhos.

Fala Ceive solicita dos partidos políticos da CAG que realicem umha defesa da unidade lingüística do galego, incluindos as problemáticas dos quatro territórios que ficam fora da actual Comunidade Autónoma Galega. Para esta defesa, considera que ante qualquer ataque institucional ou discriminaçom lingüística, bem individual ou bem colectiva, devem aproveitar-se os foros existentes, tanto os políticos (Parlamento Galego, Parlamento espanhol, Parlamento Europeu), como judiciais (tribunais autonómicos e estatais).

Por último, a associaçom cultural berziana sugire aos partidos políticos da CAG que nom mantenham contactos nem realicem pactos políticos com o leonesismo político (representado pola Unión del Pueblo Leonés e a sua secçom juvenil, Conceyu Xoven), ante a irracional campanha em contra da língua e cultura galega do Berzo e os direitos das pessoas galegofalantes do Berzo, que estas formaçons realizarom no passado mês de Maio (tal e como se pode comprovar consultando a imprensa e os meios electrónicos dos dias 19 a 22 de Maio). Fala Ceive considera que nom se podem manter relaçons com umha formaçom política inimiga da cultura galega e negadora da realidade socio-lingüística berziana mentres nom mudem a sua actitude hostil, e cesem na sua perseguiçom do ensino da língua galega no Berzo, pretendendo destruir a unidade lingüística do galego frente ao leonés.

5.31.2005

MAIS galego no ensino, já!

Fala Ceive vem de reclamar publicamente a "ampliaçom do ensino da língua galega a todos os centros educativos nom universitários do Berzo ocidental", para consolidá-la, definitivamente, e fazer que perda o carácter experimental temporal que tem até o de agora, fruto do Acordo de Cooperaçom assinado entre a Junta de Galiza e a Junta de Castela e Leom, atendendo aos direitos lingüísiticos da comunidade berziana galego-falante.
Num escrito dirigido à Comissom Mixta de Seguimento para a promoçom do ensino da língua galega no Berzo, integrada pola Conselharia de Educaçom da Junta da CAG e a Conselharia de Educaçom da Junta da CACyL, a Associaçom Cultural Fala Ceive do Berzo solicita que se amplie o ensino da língua galega a todos os centros educativos nom universitários do Berzo ocidental, para evitar as actuais desigualdades na implantaçom desta matéria, que ainda nom está presente nos colégios das localidades galegófonas de Carracedelo, A Veiga de Valcarce, Quilós e a Veiga de Espinhareda, onde si existem maes e paes interesad@s em que se imparte essa matéria.
Ademais desta importante solicitude, Fala Ceive também lhe traslada ao citado organismo outras petiçons, como a realizaçom dumha necessária campanha informativa sobre o ensino da língua galega na nossa comarca, no sentido da resoluçom do Procurador do Comum de Castela e Leom, na que instava à Direcçom Geral de Planificaçom e Ordenaçom Educativa da Junta de Castela e Leóm a realizar tal campanha. Neste sentido, Fala Ceive também reclama que as páginas web dos centros educativos nos que já está implantado o ensino da língua galega recolham informaçom sobre essa oferta escolar.
Por último, Fala Ceive considera importantíssimo que se convoquem com regularidade anual os cursos de formaçom do profesorado em língua galega, a través do Centro de Formaçom e Inovaçom Educativa (CFIE), possibilitando que o profesorado adquira os conhecimentos necessários de língua e cultura galegas, propondo, ao mesmo tempo, a criaçom dum Departamento Didáctico de Língua Galega no CFIE, no que se integre todo o profesorado desta matéria no Berzo, para coordinar a formaçom do mesmo, programar actividades conjuntas, realizar materiais pedagógicos, etc...

Agora, falta por saber, como sempre, se as instituiçons involucradas (Junta e Junta, ambas em maos do PP) tenhem em conta estas petiçons ou, mais umha vez, fam ouvidos xordos. A Junta da CAG também nom tem muitas possibilidades de dizer oficialmente que nom tendo em conta que algumhas destas petiçons (como por exemplo, o início de conversas e negociaçons para a implantaçom da língua galega em todo o ensino nom universitário) já aparece recolhido no seu flamante Plano de Normalizaçom Lingüística, aprovado, lembremo-lo, no Parlamentinho de Cartom por todos os grupos presentes no Hórreo (PP, BNG e PSOE). Veremos se é papel molhado ou tenhem intençom séria de levá-lo avante.

Mentres, no Berzo ainda há alguns que querem seguir com a absurda polémica da "impossiçom do galego normativo", e o professor J. A. Balboa de Paz escrevia onte no DiáriodeLeom sobre o tema, criticando, finalmente, que a língua galega seja umha língua real, e nom um conjunto inconexo de dialectos locais ou comarcais. "El gallego, en su variedad dialectal berciana, es parte del patrimonio cultural del Bierzo Oeste y como tal debe ser preservado por las instituciones y por el pueblo. Es más, el gallego normativo -no hay que confundir lengua y habla- puede ser una asignatura en el programa educativo de los bercianos, porque vivimos en una zona de contacto con esa comunidad, y esto facilita las relaciones y es en definitiva un bien". Com toda provabilidade, nom se preocuparam muito de saber se o espanhol que os rapazes e as rapazas berzianas aprendem no colégio é o espanhol dialectal do Berzo, de Salamanca, ou de Múrcia, aceitando, acriticamente, a impossiçom do "espanhol normativo", que nom é próprio desta comarca. Claro que de quem comeza um artigo com o típico tópico de que "las lenguas, antes que cualquier otra cosa, son herramientas para la comunicación entre los hombres", para depois pontoalizar com o nom menos tópico de que "esa riqueza lingüística de nuestro país debe preservarse pero no debe ser un arma, como quieren los nacionalistas, para la desintegración nacional", nem se pode, nem se deve aguardar muito.

5.30.2005

Divertimentos

Andivemos a jogar na escola com a literatura, e isto foi algumhas das cousas que escrevim. Tratava-se de continuar o escrito em negrito.

O médico remata de examinar-me e tranqüilizar-me: nom é grave, numha semana estarei bem. Eu desconfio. Quando me fala fai-no como se nom falara comigo. Como se falará só.
Além do mais, na porta do seu gabinete há um cartaz que di: "Dr. Rodríguez. Médico-forense".

Num pequeno povo de Escócia vendem livros com umha página em branco perdida polo meio do volume. Todo o mundo pensa que detrás se agacha um grande mistério, mas o único certo é que o dona da imprensa despediu ao revisor das provas e já nom tem ninguem que controle os trabalhos que se fam na sua empresa.


Outro dia, mais.

5.26.2005

Torradeira do pam

Umha das vezes
a voz saiu da torradeira do pam
Já sabedes
esse aparelho que torra o pam
com umhas resistências eléctricas

Ele
como todas as manhás
ia almoçar
e meteu as fatias de pam na torradeira
e carregou no botom
Nesse momento
a torradeira começou a falar
"Nego-me a acreditar nos venenos. Desde a conquista espanhola o meu povo ri idiotamente por umha grande ferida. Quase sempre é de noite..."
Ele gostava do pam no seu ponto justo
No que ele considerava o seu ponto justo
3 minutos
Aos 3 minutos as fatias de pam saltárom
e a torradeira deixou de falar

Ficara os três minutos absorto
a escuitar a torradeira
Sem pensar
pegou em duas novas fatias e meteu-nas na torradeira
Carregou no botom
Novamente falava
"O viageiro encaminha-se através da espiral embora nom
lembra quando e onde penetrou.
Supom que o caminho tem forma de espiral..."
Novamente aos 3 minutos saiu o pam quente
torradinho
tal e como ele gosta
Instintivamente
deu-lhe à rodinha até os 6 minutos
"O pam sairá mais torrado"
pensa
"mas a voz nom parará tam rápido"
Mete as fatias
desejoso de ouvir novamente aquela voz
espectacularmente preciosa
que lhe fala
a ele
Carrega no botom

Passam as horas
A escuitar a voz
e a pensar na sorte de ter mercado
ontem mesmo
dous pacotes de pam de forma

5.21.2005

Línguas, mentiras e miles de euros

A UPL sigue erre que erre e da-lhe que da-lhe. Como dizia o outro, nom pode ser que a realidade lhes arruine um titular de imprensa. Para isso existe um cóctel milagroso, que eles nom inventarom, tudo tem que ser dito, composto por três partes de manipulaçom, cinco ou seis (ou mais, segum os gostos do pessoal) de mentira e umha grande porçom, muito grande, de ignoráncia supina (essa ignoráncia tam cotizada, e que com tanto esmero cultivam algumhas pessoas).

Se nestes días passados era o Presidente da direita leonesista, Melchor Moreno, que mostrava publicamente a faze mais retrograda, cazurra e cavernícola da sua formaçom, declarando barbaridades que muitas pessoas pensavamos já erradicadas de qualquer discurso político racional ("es una aberración cultural la imposición del gallego en las escuelas del Bierzo"), hoje quem sai à cena meiática é o Joaquin Otero, Secretário Provincial desta (de)formaçom, quem publicamente exige que a Junta de Castela e Leom nom sufrague o ensino da língua galega no Berzo, porque, explica, "há outras prioridades". Nom contento com isso, também se soma ao carro do seu Presidente, e dí (sempre em perefeito espanhol, claro, que o "llïonés" fica para os livros de história), que no Berzo nom se fala galego, nem sequera em Vila Franca (de onde é natural a sua família), e que em todo caso o que se fala é "una variedad dialectal galaica pero mezclada con el leonés, que nada tiene que ver con el gallego de la Academia de la Lengua Gallega, el de Santiago de Compostela". Já se podem vostés imaginar, sofridos leitores deste humilde blog, que as demais declaraçons siguem por esse caminho... Às vezes dam ganhas de pedir que o falar nom seja gratis, que haja que pagar por palavra pronunciada, a ver se assim alguns pensam duas vezes as cousas antes de dizé-las.

Mas o realmente escandaloso é que se atreva a pedir-lhe à Junta de Castela e Leom que nom invista dinheiro na ensinança da nossa língua na nossa comarca, porque há outras prioridades, quando o certo é que tal e como desvelava o Diario de León há uns días, os practicamente 600 alunos e alunas de língua galega em diversos centros de ensino na comarca custam-lhe a ridícula quantidade de... 9000 euros! Um milhom e meio das antigas pesetas! Já podem vostedes imaginar quem corre com os gastos que supom promover a língua galega nos colégios e liceus, graças a um convénio assinado entre as administraçons autonómicas da Comunidade Autónoma Galega (CAG) e da Comunidade Autónoma de Castela e Leom (CACyL).

Como nota discordante ante tanta estupidez e idiotez, merece ser destacada, por umha banda, a publicaçom dum artigo (em espanhol, imaginamos que por imperativo legal) do Quique Costas no Diario de León de hoje, baixo o título de A língua galega também é do Berzo ("La lengua gallega también es del Bierzo"): "Lo que no tiene explicación es que este político leonesista pretenda ilegalizar una de las riquezas culturales de su país, sobre todo cuando hoy son más los bercianos que estudian gallego que los que en El Bierzo votan leonesista. El Bierzo tiene una parte occidental de lengua gallega que enriquece la pluralidad cultural de León, porque el gallego no es sólo lengua de Galicia, también lo es de León (y de Asturias, Zamora y Extremadura). Entender esto es querer entenderse. Despreciar e ilegalizar esta realidad demuestra la burda ignorancia que exhibe este político". Evidente resulta que há muitas questons, ou melhor digamos: algumhas questons, nas que nom coincidimos com Quique Costas. Evidente resulta também que há algumhas, ou melhor digamos: muitas, nas que sim.

E, por outra banda, merece também um comentário o pronunciamento de Izquierda Unida de Leom ante o tema que nos ocupa. A mais de um nos surprenderá, mas o certo é que está, nom é um desvario fruto da minha imaginaçom. Um comunicado público no que afirmam que "a UPL minte quando declara que no Berzo nom se fala galego", e no que mostram o seu apoio ao fomento e à promoçom da língua galega na nossa comarca. Segum declara o Conselho Político provincial de Leom, por boca do seu membro Aniceto Reyes, "el gallego no es en ningún caso una lengua impuesta en la comarca. La lengua y cultura gallegas son propias, autóctonas, de nuestra comarca, y como tal deben ser reconocidas, protegidas y fomentadas. Es de justicia, por tanto, reconocer los derechos lingüísticos y culturales de los y las gallego-hablantes de esta comarca, y recoger en el Estatuto de Comarcalización y en el Estatuto de Autonomia de Castilla y León esa realidad, junto con el hecho diferencial de la propia Comarca del Bierzo". Umha oportuna declaraçom de apoio à reivindicaçom lingüística galega que mesmo no PGL tem merecido umha notícia.

E é que, como alguém di num comentário publicado no DiariodelBierzo, resulta incrível que ainda haja gente sensata na meseta!