Alguém sabe como funciona isto?

1.31.2005

H4ck3rsBr Group nom é umha boa pessoa

Um grupo de hackers brasileiros vem de hackear o web www.galizalivre.org, deixando lá umha estúpida mensagem que di: " Alguem Sabe o endereço da cidade das mulheres que o Jeremias Desperdiçou?
Se souberem nos avisem:
h4ck3rsbr_group@linuxmail.org . greatz: SU3D_R3 pitt3r_p4rk3r s8ldier S4P0 THE_DANZ Aleks f0rtcu xb0x Eguinha pocotó e todo mundo que eu esquci :D".
Gzlivre, que leva já vários anos na rede, é um dos portais galegos mais visitados, e é umha ferramenta de trabalho, umha entre outras muitas webs na rede, que a esquerda independentista conseguiu criar, com o esforço e a ilusom de muita gente, e entre elas a de Raul Marinho.
Desde este pequeno blog, quero transmitir-lhe aos idiotas que venhem de fazer esse ataque que o único que conseguirom é fazer mais difícil o trabalho a quem, com muitas dificuldades, contra vento e maré, luita por um mundo melhor dia a dia, desde um pequeno recanto do mundo chamado Galiza. Que hoje, os assassinos, os imperialistas, os fascistas, os opressores, os capitalistas, os donos das grandes multinacionais, os governos ocidentais,... estám um pouco mais contentos (mesmo que nom saibam que essa pequena ferramenta foi hackeada), e que nós temos um pouco mais difícil que onte seguir caminhando. Mas que ainda assim, seguiremos a caminhar.
E desde cá, também, o meu apoio e solidariedade com www.gzlivre.org e com todas as pessoas que a fam possível, e com certeza a seguiram a fazer possível quanto antes.

1.30.2005

Meios e alternativas

Na última jornada do Foro Social Galego, que a Plataforma Galega polo Nom à Constituiçom Europeia celebrou em Compostela nos passados dias 20, 21 e 22 de Janeiro, tivem a oportunidade de conhecer, entre outras interesantes pessoas, a Mauro Bulgarelli, deputado no Parlamento Italiano inscrito dentro do grupo do Partido Verde.
Entre as diversas questons que sairom na conversa com ele e com outras pessoas durante o jantar e um posterior passeio polas ruas de Compostela, ele comentou a experiência italiana das televisons de bairro.Estas som pequenas emisoras de televisom livres, autónomas, de pequeno alcance na sua emissom, que operam em umhas quantas ruas, ou em um bárrio unicamente. Contando com umha pequena inversom, que segundo ele ronda os mil ou mil e quinhentos euros, e um simples reprodutor de vídeo, consigue-se montar umha emisora de televisom que, pola sua reduzida equipa, pode empregar-se para emitir por horas em diferentes bairros, achegando informaçom directa bem sobre questons relativas exclussivamente a esse bairro ou essas ruas onde emite, ou bem informaçom de tipo mais geral para aquelas emisoras que se movem dumhas zonas a outras seguinto um horário público e conhecido para facilitar que as pessoas interesadas podam sintonizar essa televisom.
Segundo ele relatava, existem na Itália mais de 1000 pequenas emisoras de estas características emitindo diariamente, muitas delas relacionadas com movimentos, organizaçons e colectivos de esquerda, alternativos, radicais, ecologistas, feministas, etc..., e o Governo italiano, que até o de agora nom se preocupara delas, pretende ilegalizá-las e fechá-las.
Pode ser que o Berlusconi-que-todo-o-controla tenha encontrado ao pequeno David que o vaia tumbar com umha pequena pedra e umha onda, mediática. Pode ser que seja umha boa ideia para ter em conta.

1.29.2005

Existe a Rádio Galega?

Comentou-me um amigo que agora (nom sei desde quando) a Rádio Galega tem umha emisora que só emite música. Vaia, pensei eu, alguem tivo umha boa ideia na CRTVG, incrível. E lá fum sintonizar essa emisora.
Intentei-no primeiro desde o meu aparato de rádio, mas nom conseguim dar com ela. Cá, no Berzo, sintonizam-se sem problemas a Rádio e a Televisom Galega, mas nom conseguim dar com essa emisora da RG que só emite música.
Mas nom desesperei. Botei mao dos meus escasos e rudimentares conhecimentos da informática e internet, e naveguim pola rede até dar com o web da Rádio, imaginando que lá estaria a ligaçom para com essa emisora. E assim foi.
Assim que, pensei, mentres atendo os meus correios electrónicos, actualizo o meu blog e cumplo com algumhas responsabilidades contraidas com diversas entidades, podo escuitar pola rede a música que ponham. E também, assim foi.
O único problema é que levo mais de duas horas a ouvir esta "Rádio Galega Música", e em todo este tempo nom puidem ouvir umha soa cançom de algum grupo galego: todo (mais do 90% do que eu levo escuitado) é música espanhola e/ou em espanhol, incluindo cá a da américa latina espanhol-falante, e umha pouca música anglosajona (ianqui ou inglesa). Podia ser perfeitamente umha emisora musical na Rioja, em Múrcia ou na Estremadura. Ou nom, com toda probabilidade de existir lá umha emisora dessas características, nom seriam tam recalcitrantemente espanholistas. Tam absurdamente anti-galegas.
Nem umha soa cançom em galego, e de música brasileira, portuguesa ou de outros países de expressom portuguesa já nem falamos.
Logo ainda diram que o problema para a normalizaçom lingüística na Galiza é a existência do reintegracionismo. Vai ser que o programador da RG é da AGAL ou quê?

PD/ Para curar-me em saude, já comento que a minha intençom nom é que a RG emita só música galega, mas que emita maioritariamente música galega. E para isso nom tem que pôr a todas as horas a Milladoiro: existem multidom de grupos e solistas dos mais diversos, variados e diferentes estilos, do rock ao blues, do folque ao jazz, do pop à new age, da música electrónica à clássica, do heavi ao ska,... Músicos/as galegos/as e em galego.

Literatura, simplesmente.

Envia o companheiro Ramiro a informaçom sobre um recital de poesia na Corunha, organizado polo Tangaranho Vermelho:
"O blog de criaçom e pensamento O Tangaranho Vermelho celebrará assim o seu primeiro acto público este Sábado às 20 horas no Centro Social A Treu, sediado na Rua Sam José, número 12. Este acto consistirá num recital poético no que participarám Alicia Fernández, Cruz Martínez, Celso Álvarez-Cáccamo, Xavier Vásquez Freire, Ângelo Pineda, Miguel Vento, Diego Villar, Alberte Momán e Ramiro Vidal.
O blog O Tangaranho Vermelho nasceu em Julho de 2004 com vocaçom de espaço para a criaçom, a crítica e o debate. Mas, longe de limitar as suas iniciativas ao ámbito da rede, impulsionará actos públicos com certa freqüência".
Eu nom poderei assistir ao recital, mas desde cá, ainda que um pouco tarde, practicamente a sete horas de que se celebre o acto, recomendo assistir para escuitar algumhas vozes novas, e nom tam novas, da nossa poesia, que é também a literatura, simplesmente.

1.25.2005

Um prémio para Gavela

A este home deveriam dar-lhe um prémio por escrever estas cousas. Que capacidade para repetir tópicos e idioteces em tam poucas linhas e com um vocabulário tam reduzido. Ainda que original nom é muito original: escreve o que dia sim dia tambem escrevem os "opinadores" oficiais do sistema sobre naçom e nacionalismo (oprimido) e sobre naçom e nacionalismo (opressor). Quer dizer, contra as luitas, processos e movimentos de libertaçom nacional no Estado espanhol, e a favor do espanholismo, fascismo e colonizaçom.

1.21.2005

De derrota em derrota...

Lembro há uns quantos, já bastantes, anos, a começos de 80, que umha familiar minha comentava de quando em vez, quando aparecia algum político jovem na tele: "este estudou comigo, olha para ele, era dos mais radicais, dos que se iam comer o mundo...", e resultava que estava de subsecretário de qualquer cousa em algum Ministério, ou de parlamentário do PSOE, ou mesmo do PP, ou de governador civil em nem-se-sabe-que-província. Ou conseguira, em fim, qualquer outro bom chope, onde pudera mudar as suas preocupaçons sociais, os seus sonhos e as suas utopias, por umha piscina no seu chalet adosado, ou por umha boa nómina a cargo dos orçamentos do Estado, com gratificantes pluses e avondosas dietas incluidas.

A mim, que daquelas ainda era mais novo que agora, surprendia-me ver que tanta gente, que fazia já parte do problema, começara por fazer parte da soluçom. Como se produziria o cámbio? Era umha pergunta para a que nom conseguia atopar resposta. Como se podia transmutar tam facilmente o sangue em vinho, o verbo em carne, o oprimido em opressor? É que eram todos eles (normalmente eram todos homes, porque a começos de 80 ainda havia menos mulheres que agora que chegaram minimamente alto na política, e na vida) umha panda de vendidos? Era assim de fácil? Fôram comprados? Tentaram-nos e eles deixaram-se tentar, e pronto? Nom me convencia, porque já intuia que tinha que ser um pouco mais complicado.

Com o passo do tempo, dos anos, nom conseguim umha resposta para essa dúvida, mas mudou a minha perspectiva. Agora, nestes últimos três ou quatro anos, nom mais, já nom som os conhecidos dumha familiar de mais idade os que aparecem na tele, ou nas rádios, ou nos jornais. Agora som conhecidos meus. De quando em vez, vejo em algum meio de comunicaçom a alguém que eu conhecim nos meus anos de estudante, e que fala desde o seu flamante e epatante posto de liberado sindical, de concelheiro, de parlamentarinho do parlamentinho, de responsável de nom-sei-que ou presidente de-nom-sei-quanto, de oficinista de tal ou qual organizaçom, política, sindical, social... Vejo-os, e logo me decato de que eles, que também começarom sendo parte da soluçom, convertirom-se em parte do problema, contentos e satisfeitos de reproduzir os esquemas que há uns anos diziam querer mudar, e contando sempre com que a final de mês lhes vai chegar o seu salário, que quase sempre sai dos orçamentos públicos, completado com estupendos pluses, maravilhosas dietas e reconfortantes gastos de deslocamento. Qualquer dessas pessoas das que falo, cobra facilmente três ou quatro vezes o Salário Minimo Interprofesional. Alguns, mesmo até dez vezes, porque um carguinho num conselho asessor dumha entidade pública deve estar pagado com umha quantidade que nom somos capaz de imaginar os que imos de contrato temporal precário a contrato temporal precário.

Sigo sem comprender como é que se levou a cabo a transmutaçom do sangue em vinho, e ainda menos entendo como conseguim eu, e outras pessoas, nom transmutar. Contam-me algumhas pessoas de quando em vez: "lembras a tal pessoa ou tal outra? Pois agora está de liberado sindical na federaçom da construçom, ou do metal, ou de nom-sei-quê", e eu pergunto-me como é possível que alguem que na sua vida bateu pancada, que nunca entrou numha fábrica a currar, que nunca suou nun andámio ou andivo com a língua de fora num armazem, pode ser quem decida o rumo dum sindicato. E assi, ad nauseam.

Nom gosto da precariedade, mas de quando em vez miro ao meu redor e me alegro de ter apostado sempre pola facçom perdedora, sabendo que ainda é possível que se cumpla aquela velha palavra de orde que falava de como iamos caminhando de derrota em derrota até a vitória final.

1.20.2005

Bicos com língua em Ponferrada

O Teatro Bergidum de Ponferrada acolherá a vindeira quarta-feira, 26 de Janeiro, a representaçom da obra "Bicos con lingua", da companhia Talia Teatro, ganhadora de dous prémios Maria Casares 2004 ao melhor texto original e melhor actor protagonista. A obra será representada, evidentemente, em galego.

A funçom começará às 21'00h. Esta actividade está organizada polo Departamento de Língua Galega da Escola Oficial de Idiomas (EOI) de Ponferrada, dentro do ciclo "Lenguas a escena", que nas seguintes semanas levará ao cenário do Bergidum umha obra em inglês e outra em franzês.

Toño Casais e Artur Trillo, dirigidos por Avelino González som os actores desta obra, baseada em textos de Suso de Toro, Cándido Pazó, Avelino González, Ana Iglesias, Xavier Lama, Marta Echeverria e Manuel Nuñez Singala. O espaço escénico e vestiário é de Carlos Alonso. Nesta ligaçom podem ler umha entrevista com Toño Casais, um dos actores.

Para o movimento de defesa da língua e cultura galegas no Berzo é importante á celebraçom de actos como este que hoje aqui resenhamos, e importante será conseguir que haja um publico numeroso na representaçom, nom só para asistir ao bom trabalho de Talia, mas também para animar à direcçom do Teatro, aos seus responsáveis, que também há público para o teatro em língua galega na capital do Berzo, e que devem animar-se a contar no seu programa com as companhias galegas, e darmos assim um passo mais na normalizaçom da nossa língua nesta comarca arraiana.

Confesom da confusom ou confusom da confesom

Já sabemos que cada quem fala da feira segum lhe vai nela. E parece ser que há alguem por aí sementando a confusom e falando de mim (mira tu que perda de tempo, falar de mim pudendo falar de cousas interesantes; mas bom, de todo tem que haver na vinha do senhor...) contando algumhas que outras mentiras, meias verdades e meias mentiras. E poucas verdades.
Como cada quem é livre de fazer o que queira com a informaçom que lhe chega, mesmo de procesá-la e aceitá-la como verdade, eu fago aqui o meu prego de descargos, e confeso a minha maldade intrínseca. A seguir, a minha confesom, que nom é mais que umha parte da minha confusom, sabendo que ao admitir as minhas culpas poderia ser condeado ao ostracismo perpétuo ou eterno. E é que os caminhos do senhor som inexpugnáveis... (Duas alusons ao senhor em menos de oito linhas, vou-me superando).

Confesom da confusom ou confusom da confesom

Eu, declaro solenemente que som um especialista em meter-me em organizaçons nom políticas e politizá-las, e logo reduzi-las, porque som um pouco gíbaro, a um marxinal reino de mim mesmo, um reino onde só eu reino, e onde todos me chamam "me-rei" como mostra de respeito e devoçom.

Mas nom só isso. A minha comida preferida som os rapazes assados com patacas, tenho rabo e cornos, e nas noites de lua cheia saio polas ruas a chupar-lhe o sangue aos nacionalistas de boa fé.

No meu curriculum também podo incluir que fum membro fundador de Al-Qaeda (de facto, confeso que eu som Bim Ladem, só que me caracterizo bem para fazer os vídeos que mando por internet), e também fum eu o culpável do desastre da armada invencível, da morte de Paquirri e da perda de Cuba.

Antes disso, já algumha cousinha andivera a fazer traicionando a Viriato, pastor lusitano valente e generoso, e impedindo (com um corte de tráfico na praça de Galiza em Compostela) que o escrito dos Reis Católicos perdoando a vida a Pardo de Cela chegara a tempo.

Por suposto, som um agente do espanholismo e, ademais, os serviços secretos portugueses ingresam-me na conta todos os meses 20.000 euros para os meus trabalhos de evangelizaçom reintegracionista.

A minha última inconfesável treta levo-a a cabo no Berzo, onde pretendo constituir umha secta secreta clandestina e subersiva, com claros matizes de lógia masónica e clube de fans, para politizá-la até tal ponto que dentro dum par de meses, ou menos se calhar, os seus membros e mais eu, quando escuitemos umha gaita, quando escuitemos um pandeiro, rubamos à montanha, colhamos a metralheta e iniciemos a luita armada. Imos montar a de dios-es-cristo!

E, por suposto, o primeiro que imos fazer é voar todos os repetidores que transmitem a TVG para o Berzo, porque som um elemento desestabilizador. Imos meter uns virus nas televisons para que só sintonicem os canais portugueses. Ides-vos cagar polas trancas down!

E depois disso já tenho todo preparado para dar o salto até Salamanca e Valhadolid, onde criaremos os nossos grupos de vangarda entre as elites intelectuais para no praço nom maior dum ano poder tomar por assalto com as nossas tropas a sede da Real Academia Espanhola da "Lengua" e obrigar a todos os académicos que nom morram na batalha a assinar umhas novas normas REINTEGRACIONISTAS para o espanhol... Hahahahaha, hahahaha, hahahahahaahahaha,... entom controlaremos o mundo hispano e saltaremos até América Latina, onde os reintegracionistas (disfarzados de brasileiros) levam anos formando células lingüísticas durmintes que invadiram toda centro e sur américa. E daí a controlar os Estados Unidos haverá um pequeno passo. Pequeno para a humanidade, mas vital para desterrar a norma ILG do mundo dos vivos, e devolvé-la ao mundo dos mortos de onde nom tinha que ter saido...

(...)


E até aqui a minha confusom mental. Tantas horas diante do computador penso que me estám a rebrandecer o seso e a esmendrelhar a neurona que ainda me funcionava. Disimulem-me o detalhe, mas eu marcho. Que la gracia de dios y la bendición de cristo sea con vosotros, podeis ir en paz. Demos gracias al senhor. (meu deus! outra vez o senhor esse, quem será? Que santo antom me colha confesado!).

1.19.2005

Umha campanha informativa que nom informa

Por Igor Lugris e Aniceto Reyes,
membros da Plataforma Berziana polo NOM
à Constituiçom Europeia
Ponferrada, 15 de Janeiro de 2005


O Congresso dos Deputados espanhol aprovou, por prática unanimidade, a proposta do "progressista" governo do PSOE, a convocatória do referendo sobre a Constituiçom Europeia. Incrivelmente, nom houvo um só grupo político, um só deputado ou deputada, que se abstivesse (excepto um membro da Cámara que se enganou ao votar). A cámara de supostos representantes aprovava assim convocar um referendo sobre esse texto chamado Constituiçom Europeia, a celebrar só um mês e dez dias depois. Mas, qual é o problema?, dirám alguns. Que motivos ia levá-los a votarem contra a celebraçom desse referendo ou a se absterem?, perguntaram outros. A Plataforma Berziana polo NOM à Constituiçom Europeia tem claro qual é o problema: o dia que se aprovou a realizaçom desse referendo, praticamente os 99'9% dos súbditos do Reino de Espanha (quer dizer, todos e todas nós), nom conhecia praticamente nada do texto sobre o que terá que dar o seu parecer. A Constituiçom Europeia é umha completa desconhecida. Como é que se pode aprovar realizar um referendo, num prazo de menos de mês e meio, sobre um texto, um extenso texto, de que praticamente ninguém leu nem a primeira página?

Tanto o PP como o PSOE (e o resto das organizaçons políticas presentes naquela instituiçom), tenhem feito todo o possível para que chegássemos ao mês de Janeiro de 2005 sem saber nada de nada do que realmente di e o que realmente significa a Constituiçom Europeia. O seu objectivo, conseguido, era realizar um referendo sem informaçom, um referendo em que as pessoas que vaiamos votar o fagamos a partir da maior ignoráncia possível sobre o que realmente imos votar. A campanha institucional que o Governo lançou desde começos deste ano, para tentar diminuir a mais que previsível alta abstençom, persegue esse mesmo objectivo.

Se nom fosse porque estamos a falar dum assunto sério, em que a classe trabalhadora, as mulheres e os jovens, em que os povos e as naçons sem Estado jogamos muito, a campanha sobre a constituiçom e polo voto no referendo pareceria outro mais desses insuportáveis programas de humor medíocre que abundam nos canais de televisom. Mas o pior nom é ver umha série de pessoas, ou personagens, ou inclusive "personagenzinhos", a recitar artigos (cuidadosamente escolhidos) do texto em questom.

A verdade é que nom entendemos que valor poda ter ver a tam eminentes pensadores e intelectuais como Cruyff ou Butragueño -por citar só dous casos- ler em voz alta a Constituiçom, mas é claro que tenhem todo o direito do mundo a apoiar a Constituiçom, igual que qualquer pessoa. Unicamente chamamos a atençom sobre o facto de que eles, e outros, estám dispostos a mostrar-se publicamente a favor em troca dumha suculenta (supomos) quantidade de dinheiro que terám levado das arcas públicas (quer dizer, de todos nós) por fazer esses ridículos anúncios.

Mas já dizemos que isso nom é o pior. O pior, o realmente grave, o que nom deveria ser permitido, é que a campanha do Governo é evidentemente partidária. Nom é umha campanha informativa sobre a Constituiçom Europeia, mas umha campanha a favor dessa Constituiçom Europeia. E isso é o que nom é completamente legal. O PSOE, o PP e todas as demais organizaçons políticas podem ter a sua postura, e defendê-la, e fazer campanha polo sim, mas o Estado, supostamente, mantém-se neutral ante essa consulta, nom apoia o SIM ou o NOM, porque (da sua óptica) tam democrático e respeitável será um resultado como outro. Como é possível entom que o Bourbon Juan Carlos, máxima autoridade e representatividade do Estado espanhol, designado Rei da Espanha pola graça do que tinha a graça de Deus, faga campanha a favor do SIM em toda a ocasiom que se lhe apresenta? Que sucede, que só considera os súbditos que votem a favor? E que opina dos que votem contra?

Porque a campanha é tam descaradamente favorável ao voto SIM? Pois porque os grandes partidos renunciárom a fazer umha grande campanha (que custa muito dinheiro) pedindo o sim, e optárom por utilizar o dinheiro público, por meio do Estado, para a fazerem. Qual se nom é o motivo de que saiam umhas pessoas lendo um texto repleto de tam boas palavras que é impossível estar em desacordo? Direitos humanos, protecçom da infáncia, dignidade, paz, solidariedade, respeito mútuo, defesa do património cultural, etc.... Quem vai dizer que NOM, quem se vai atrever?

Mas, porque nom falam sobre outras partes da Constituiçom Europeia? Por exemplo, a campanha "informativa", poderia informar-nos de que a Constituiçom Europeia nom é democrática: foi elaborada por um grupo de notáveis, eleitos directamente polos presidentes de Governo de cada Estado membro da UE, que careciam de toda legitimidade para iniciar um processo constituinte. Mas, além disto, poderiam contar-nos como com esse texto em vigor, as decisions realmente importantes para o futuro da Uniom Europeia ficam em maos dum Exjecutivo europeu que nom vai ser eleito directamente polo povo, e que essa constituiçom nom reconhece as diversas formas de democracia participativa ou directa possíveis. Ou que a Constituiçom se blinda ante qualquer futura reforma, ao ter que ser unanimemente aceite por todas as partes integrantes da UE para se levar a cabo.
Também poderia a campanha "informativa" esclarecer que a Constituiçom Europea consagra legal, jurídica e politicamente a ortodoxia liberal como único quadro possível: livre mercado, competitividade económica e economia de mercado. Nom fixa um quadro neutro dentro do qual tenham possibilidade de se desenvolver todas as opçons e projectos políticos. Podiam explicar-nos como a Constituiçom Europeia nom permitirá a nengum povo decidir livremente o seu destino, a pesar de a UE ter assinado o Pacto dos Direitos Civis e Políticos de 1996, onde se reconhece o inalienável direito à autodeterminaçom dos povos. Poderiam contar-nos que a UE reserva para si própria, com esse texto na mao, o direito à intervençom dentro dum Estado membro no caso de de que umha maioria social ameaçasse, mesmo pacífica e democraticamente, a legalidade burguesa consagrada, estabelecendo, através da chamada Cláusula de Solidariedade, um imperialismo interno legalizado.

Butragueño, Loquillo, Luis del Olmo, Cruyff e todos os demais deveriam também ler publicamente nas televisons e nas rádios o artigo I.22.1, que estabelece que o Conselho de Europa nom é fiscalizado por nengum órgao e actua por conta própria, exercendo funçons executivas e legislativas, quer dizer, como umha autêntica tirania legalizada, e o III.198, que permite a esse mesmo Conselho de Europa decidir, sem nengum tipo de consulta sobre intervençons militares. Ou também poderia escolher o artigo I.40.1, onde se assume a plena submissom à NATO, ao tempo que se pretende legalizar o direito a intervir em qualquer zona do Planeta onde os interesses dos grandes capitalistas europeus se virem ameaçados.

Seria cómico ver os "personagenzinhos" antes citados falando de machismo e patriarcado, mas também deveriam explicar-nos que o texto constitucional nom recolhe a igualdade entre homens e mulheres como princípio fundamental, e que nom incorpora meios para caminhar para a superaçom do patriarcado, ao tempo que nom reconhece o direito ao aborto livre e gratuito mas sim assume o modelo familizar patriarco-burguês, baseado no matrimonio heterossexual, como o único desejável.

Enfim, poderíamos continuar a citar exemplos sobre o que "falta" na campanha informativa sobre a Constituiçom Europeia, mas talvez o melhor exemplo seja que nem tem sequer informa sobre o facto de que o próprio termo de Constituiçom Europeia é mais do que discutível. Primeiro, porque a Europa é umha realidade geográfica mais ampla que os limites dos 25 Estados que actualmente conformam a UE. E em segundo lugar porque a Constituiçom Europeia, real e legalmente chamada "Tratado Constitucional da UE", nom é mais do que a fusom e actualizaçom num único texto dos Tratados aprovados até o momento, acompanhados dumha declaraçom de direitos do conjunto da populaçom e um sistema de funcionamento dos órgaos de decisom da UE. Nom estamos ante umha constituiçom dumha estrutura política federal ou confederal: é um Tratado entre Estados soberanos, que recolhe claramente que a soberania reside nos próprios estados que formam a Uniom, e só neles, ao tempo que aproveitam para sacralizar as suas fronteiras actuais.

A participaçom popular no desenho, redacçom e aprovaçom do Tratado tem sido a grande ausente. Prova disso é que o referendo de 20 de Fevereiro tem só carácter consultivo, nom vinculante: seja qual for o resultado, o texto estará aprovado porque assim o decide o governo espanhol de turno. E, independentemente do que dixer ZP de cara à galeria sobre a sua vontade de respeitar o resultado, no pouco provável caso de que o NOM seja maioritario na consulta, o Estado espanhol irá sancionar igualmente o texto, e continuará a fazer parte dessa Uniom Capitalista Europeia.

Porque, em definitivo, nom lhes importa nada de nada o que tenhamos a dizer, e borrifam-se para nós. Mas, entre todos e todas, poderemos fazer com que no dia 20 levem um bom susto.

A Galiza Irredenta também reclama o seu património histórico a Espanha

Segundo informam nestes dias os meios de comunicaçom, o concelheiro da Cultura de Ponferrada, Manuel Rodrigues (do Partido Popular), reclamou ao Museu Provincial de Leom a devoluçom do Edito de Augusto, documento em bronze escrito no ano 14-15 anterior à nossa era, e que é considerado polos especialistas como o mais importante dos achados romanos no norte da península. O documento em questom foi encontrado perto da localidade berziana de Bembibre no ano 1999, ficando depositado desde entom no Museu Provincial de Leom (província em que se enquadra oficialmente a comarca galega do Berzo).
Segundo Manuel Rodrigues, a sua reclamaçom é motivada porque "os demais também exigem o seu património", em referência à reclamaçom por parte da Catalunha dos arquivos cataláns referidos à guerra de 1936-39 custodiados, depois de serem espoliados polo fascismo, em Salamanca. Segundo o concelheiro ponferradino do Partido Popular (a mesma organizaçom que se nega a que tais documentos sejam devoltos à Catalunha), o documento romano deve ser devolto à comarca berziana. "No seu dia, tivemos oportunidade de retê-lo e nom pudemos fazê-lo, e agora, com esta voragem de reclamaçons, nós nom imos ser menos", explica. E ainda acrescenta: "no seu dia, pedimos umha réplica e ainda nom a temos, mas agora somos mais ambiciosos e imos pedir o que cremos que é de lei, o documento original para que poda estar depositado num museu berziano". O responsável polo departamento da Cultura explicou aos meios de comunicaçom que o património histórico berziano deve ser devolto a esta comarca, e em concreto este documento tem de voltar imediatamente à comarca e à cidade de Ponferrada, para poder fazer parte dos fundos do Museu do Berzo.
Cumpre lembrar que o Partido do Berzo (PB) já solicitava neste começo de ano, simbolicamente, numha carta aos "Reis Magos", que todas as autoridades competentes reclamassem "o legado patrimonial" que se acha fora da comarca, referindo-se em concreto a este edito de Augusto e também ao Idolo de Noceda e ao Calis de Penalva.

Para além da hipócrita postura que o Partido Popular demonstra ter com esta iniciativa no tema do Património Histórico, Manuel Rodrigues e o conjunto da corporaçom municipal do PP de Ponferrada (pois é impossível pensar que tal iniciativa nom conta com o apoio do alcaide, Lopes Riesco), venhem assim demonstrar, sem o pretenderem, que o Berzo nom é Leom. Pois é evidente que, se reclamam a devoluçom do património a um museu provincial leonês, é porque consideram que a nossa comarca arraiana nom fai parte dessa "província" espanhola, e que o nosso património deve estar dentro do nosso território.

O tema da territorialidade no Berzo nom está tam fechado como pretende a Junta de Castela e Leom e o PP dessa comunidade autónoma. Neste senso, devemos lembrar que já no último congresso do PP de Castela e Leom, realizado há uns meses, um sector do PP berziano apresentava umha emenda aos textos oficiais, que nom prosperou, em que solicitava que o partido da direita espanhola asumisse a identidade berziana e permitisse ao PP berziano funcionar como se fosse umha organizaçom provincial, dependendo directamente do comité de direcçom autonómico, e nom do comité provincial de Leom. A proposta foi rejeitada no congresso de Castela e Leom, onde os responsáveis do PP nom queriam nem ouvir falar do tema, mas ganhou muitíssimos apoios entre o PP berziano e muitos alcaides, concelheiros e filiad@s dessa organizaçom. E é que muitos membros do PP, e também do PSOE, continuam se entender o que fam dependendo, política e organicamente, dumha província que nunca os tivo em conta mais que para somar votos os dias das eleiçons.

O PSOE também move ficha neste debate sobre a reformulaçom político-administrativa do Berzo, e nom doutra forma há que entender a reclamaçom que nestes dias de começo de 2005 fazia o Presidente do Conselho Comarcal do Berzo, Ricardo González Saavedra, no sentido de que o organismo comarcal assumisse as competências das doze comunidades de municípios que actualmente coexistem nesta comarca, formada por 37 concelhos. Assegurava González Saavedra que, de recaírem sobre a administraçom comarcal as competências que agora dependem destes doze entes supra-municipais, o serviço se veria logicamente melhorado em vários aspectos, tanto no económico como no de atendimento às pessoas principalmente.

Um movimento "provincialista" no Berzo, que reclame a constituiçom dumha província berziana em Castela e Leom, e portanto dumha comarca autónoma frente a Leom, posta a negociar em pé de igualdade com Valhadolid (capital da comunidade autónoma castelhano-leonesa), é um passo importante que pode propiciar um cenário mais favorável para a reivindicaçom da reintegraçom da comarca berziana na Galiza. Os diversos movimentos, colectivos e correntes que podemos estar em prol dessa reivindicaçom devemos estar atentos e dispostos a trabalhar para aproveitar um futuro cenário nesse sentido. As futuras reformas do Estatuto de Comarcalizaçom do Berzo e do Estatuto de Autonomia de Castela e Leom som importantes citas que, do ponto de vista cultural e político, temos de ter já na nossa agenda.

A defensa da galeguidade das terras berzianas, do ponto de vista cultural e lingüístico, mas também do ponto de vista político, devem ser o norte da nossa actuaçom. Da esquerda independentista, sempre teremos a mao tendida para avançar neste sentido junto com quem, honestamente, quiger realizar o caminho que conduza para um Berzo ceive numha Galiza unida e livre.


Igor Lugris (membro da Assembleia Comarcal de NÓS-Unidade Popular da Comarca do Berzo e da Direcçom Nacional)

Nom é umha cópia do Jaureguizar : )

Agora, vendo o blog, vam-me acusar de ser um copiom, e ter-lhe calcado o blog ao bom amigo Jaureguizar, por ter escolhido o mesmo desenho. Mas, que culpa lhe tenho eu se ele escolheu a imagem para o blog mais esteticamente interesante e bonita?. Há outras muitas opçons, mas é que eu também prefiro esta.
Aguardo que me perdoe. E que isto nom enturbie a nossa amizade.

E sobre o nome do blog: é evidente. Vós vistedes algumha vez um OVNI, com a completa e segura certeza de ser um OVNI? Porém, é impossível aceitar, desde umha postura minimamente inteligente, que nom existam. O mesmo me passa a mim com as isoglosas.

Lembro que quando estudava aquela cousa que se chamava BUP (bacharelato unificado polivalente, toma!), em Compostela, nós diziamos que a isoglosa da gheada em Compostela devida passar, mais ou menos, pola sede do BNG (que na altura estava na rua Santiago de Chile, no espantoso ensanche compostelam). Era umha brincadeira, mas o comentário tivo tanto sucesso, que devia agachar qualquer cousa de verdade.

O das isoglosas, nom confundir com as isobaras, é um grande mistério para mim desde sempre. E isso que estudei 8 anos de Filologia Hispánica em Compostela (por certo que, em séptima convocatória, conseguim um sobresainte em lingüística románica).

Pontoalizaçons

No comentário anterior, esquecim (e é de justiza lembrá-lo), que FC tem recebido ajudas e colaboraçons de diversas entidades nos últimos meses, bem recebendo livros e outro material para as bibliotecas da nossa comarca, bem vendo publicadas suas notas de imprensa e recolhidos os seus actos na rede. Entre essas entidades, que aparecem recolhidas no web de Fala Ceive, há algumhas reintegracionistas e outras nom-reintegracionistas. Assim, por exemplo, junto com AGAL, também está A Mesa pola Normalizaçom Lingüística; ou junto com NÓS-UP o Bloque Nacionalista Galego de Vigo; etc.

A lista completa, para nom levantar suspicácias, e que também inclue a pessoas a título individual que tenhem colaborado com Fala Ceive na campanha de recolhida de livros é a seguinte, copiado do web de FC (e lamento nom ter tempo para pôr a ligaçom com os seus webs de todas elas):


Concello de Ribadeo, área de cultura
Concello de Pontevedra.
AGAL, Associaçom Galega da Língua.
Editorial Xerais de Vigo.
Biblioteca Central da Universidade de Vigo.
Xornal A Peneira, da Comarca do Condado.
Santiago Jaureguízar, xornalista (Lugo)
BNG da Comarca de Vigo.
Biblos Clube de lectores
Librería Torga de Ourense.
Editorial Difusora de Artes, Letras e Ideas.
Alexandre Banhos (Vigo)
Mesa pola Normalización lingüística de Santiago.
Ana Romani, xornalista da Radio Galega (Compostela)
Asociación de Escritores en Lingua Galega.
Anxo Torres Cortizo (Bueu)
Consello da Cultura Galega.
Primeira Linha.
Biblioteca da Universidade de Compostela.
Nós-Unidade Popular.
Diario de León (Delegación do Bierzo)


O listado é o suficientemente amplo para demostrar que isso de que FC se tenha convertido num grupelho exclussivamente reintegracionista é falso. Nom se passaria nada se for assim, mas nom o é. Ainda assim, haverá quem siga insistindo no contrário.

Explicaçons e desejos

Reproduzo aqui o texto que deixei no blog do Jaureguizar, a propósito dumha polémica sobre "normativas" no Berzo.
Outro dia, escreverei mais. Hoje nom podo, que tenho reuniom de Fala Ceive (ou Ceibe). ; )



Vou ver se consigo escrever algumha cousa com sentido explicando-me um pouco. Primeiro, pedir-lhe ao Jaure que permita comentários anónimos no seu blog, porque agora tivem que dar-me de alta e criar um blog para poder escrever. E agora que farei com ele (www.ovniseisoglosas.blogspot.com)? Manté-lo? Se nom som capaz de escrever todos os dias no meu caderno de escrever, vou ter agora a responsabilidade de escrever no blog? Jaure, a responsabilidade é tua ;)
E indo ao tema. Nom estaria mal que a soluçom para o problema da língua fora a que aponta o Jaureguizar. Eu, e seguro que outros e outras muitas, aceitariamos encantados/as: se com umha moratória temporal (ponhamos por exemplo, cinco ou oito anos? ou mais? dez?), por parte do reintegracionismo, conseguiramos resolver a questom da perda galopante de falantes e da rutura geracional na transmisom do idioma (no Berzo e no conjunto da Galiza), se com isso conseguiramos dar-lhe a volta às estatísticas, eu desde logo assinava agora mesmo. Nom ia ser por mim que nom conseguiramos um logro tam importante. Entendo que depois dessa moratória, onde os gais -perdom, quigem dizer, @s reintegracionistas-, estiveramos no armário, bem gardadinhos, teriamos direito a sair novamente do armário e publicamente demostrar, defender e actuar livremente conforme com a nossa escolha normativa; e com mais liberdade ainda que antes, sabendo que o grave problema já estava resolto.Repito, nom estaria mal. Mas a realidade parece demostrar que isso nom funciona. Repasemos a história e vejamos se atopamos algum caso semelhante, similar, que nos poda aportar luz.Por exemplo: a moratória reintegracionista no ensino. Nom sei se foi umha moratória pactuada, se foi um acordo tomado por algum colectivo, organizaçom, comité clandestino, ou similar; ou se foi simplesmente umha derrota em toda regra; ou se foi por culpa do cansaço e o aborrecimento. Mas, em todo caso, seja como for, o certo é que de todos aqueles e aquelas profesoras de língua galega em secundária que a meados de 80 (quando eu estudava secundária num liceu de Compostela), impartiam as suas aulas na, entom ainda existente, normativa de mínimos reintegracionistas ou directamente de máximos reintegracionistas, practicamente nom fica nada de nada. Pequenas exceiçons. No meu liceu, onde no departamento de língua e literatura galega practicamente nom havia um só profe da norma "oficial", isto é ILG-RAG, quando eu estudava, a dia de hoje ninguem se sae da norma "oficial" (ILG-RAG), ou quase ninguem (porque nom sei se o Foz sigue dando aulas de língua em nocturno).E isso sucedeu também no resto da Galiza: os profes, passarom-se em massa à norma oficial. Nem sei se todas/os a umha, ou pouco a pouco; mas, quando menos, vai para mais de dez anos que a situaçom lá é bastante "normal" nesse sentido: quer dizer, normativa oficial e ponto. Mesmo som poucos os ou as profes que lhes falam ao seu alunado da existência dum conflito normativo. Derrota ou moratória, para o que nos interesa é o mesmo.
Pois bem, depois de todos estes anos de Normativa ILG nos liceus (e nos colégios de primária), avançou muito a situaçom? Saem neo-falantes do ensino? Conseguimos reduzir o número de rapazes que entram no ensino galego-falantes practicamente monolíngües, e saim espanhol-falantes practicamente monolíngües? Estamos dando-lhe a volta às estatísticas que anunciam que em breve as novas geraçons seram maioritariamente, e muito maioritariamente, espanhol-falantes? Pois parece que nom. Parece que a "normalidade" que se pedia desde diversos ámbitos no tema da normativa no ensino, nom está servindo para avançar. Mas, o que é mais grave, nom está servindo nem para manter as posiçons. O único que conhecemos é um grande, enorme, grave, retroceso.Perdeu-se, completamente, tensom normalizadora nesses ámbitos. Do liceu saem, no melhor dos casos, rapazes e rapazas com a asignatura de língua galega aprovada, e nada mais. Também saem com a asignatura de matemáticas aprovada, mas isso nom significa que todos e todas vaiam ser matemáticos de profisom. Ou biólogos. Ou profes de gimnásia. Vaia, que no sentido de conseguir falantes (noutros aspeitos ainda poderiamos debatir), nada de nada. Como diziamos na Corunha, quando eu vivia lá, ainda fazendo a EGB: nasti de plasti. Que bem significando, em giro mais de moda, e mais do PP: zero patatero. Nada.
Mas, junto a este ejemplo (e lamento extender-me tanto) temos algum outro. Por ejemplo, o importante trabalho no terreo da normalizaçom, a todos os níveis, lingüística, desenvolto nos últimos anos por diversas entidades que se dedicam ao tema. Muitas dessas entidades, algumhas das mais activas, reintegracionistas. O caso de Artábria (em Trasancos) é um evidente, e já clásico, exemplo. Nom é que tenham criado o "paraiso" da normalizaçom, nem que tenham a fórmula mágica que todo o resolve, mas derom, e siguem a dar, com muitas dificuldades, mas com muita audácia, ilusom e esforços, importantes pasos. O mesmo poderiamos dizer de outras entidades por todo o país, tais como os centros sociais que nos últimos anos se tenhem vido criando em diversas localidades, e que com os seus problemas, limitaçons e dificuldades (e com muitas críticas que lhe poderiamos fazer) desenvolvem umha actividade muito importante, cobrindo um espaço que estava aí, aguardando que alguem fora ocupá-lo. E foi o reintegracionismo (no sentido mais amplo da palavra) quem o fijo: Alto Minho, a Revolta, a Reviravolta, Gentalha do Pichel,...Até o próprio Jaureguizar tinha que reconhecer num comentário neste blog, que os rapazes e rapazas novas que se interesavam pola língua eram todas reintegracionistas. Nom é certo que todos sejam, porque há muita juventude nom reintegracionista preocupada pola língua e fazendo cousas. Mas há um grande e importante número de reintegracionistas activos, pode que até sejam maioria se de contar se tratara.
Se nom, nom poderiamos entender que o magnífico Portal Galego da Língua (www.agal-gz.org), mantido pola AGAL, fora um dos webs mais visitados de toda Galiza (segundo os dados de Alexia). E outras muitas iniciativas existentes no país, e que se lhe devem a sectores diversos, mas que tenhem em comum o reintegracionismo.Se hoje em dia existe um mínimo de trabalho de normalizaçom lingüística, entre outras cousas é devido a que o reintegracionismo está aí. Presente no día a día, e logrando pequenos avanzes.Que também comete errores? Evidentemente. Se nom, o reintegracionismo nom estaria formado por pessoas, mas por seres sobrenaturais.
Em fim, que toda esta literatura, tinha como finalidade explicar que o problema no Berzo nom é a escolha normativa que fagamos os membros de FC (ou a escolha que fagam outras pessoas que defendam a nossa língua e cultura nessa comarca). O problema é ser capaz de aceitar a diversidade, a pluralidade, ser capaz de trabalhar em aquilo que nos une, por riba das diferenças que podamos ter. E o que nos une é a língua.Para alguns, tratará-se da "lingua", para outros (nos que me incluo), tratará-se da língua, mas em todo caso todos e todas sabemos que nos referimos ao mesmo, e que o debate normativo nom deve impedir o trabalho normalizador. Na CAG parece que é impossível que reintegracionistas e nom-reintegracionistas trabalhem juntos. No Berzo, onde temos muitos outros problemas, parece que esse nom nos estava a afectar. Conseguiramos solventá-lo com inteligência, compromisso e respeito.
O problema no Berzo nom é que a gente poda ler galego em tal ou qual normativa, o problema é, por exemplo, que os meios de comunicaçom impresos desta comarca nom recolhem nom recolhem os comunicados de imprensa emitidos em galego (e dá-lhes igual a normativa empregada: simplesmente, nom os recolhem), e temos que enviá-los bilíngües, sabendo que eles simplesmente lem a versom em espanhol, e botam a parte redigida em galego (seja qual for a normativa) ao cubo do lixo.
O problema no Berzo é que nom podemos participar nas rádios da comarca falando em galego (defendas a normativa que defendas), e sempre temos que cambiar a chaqueta e falar em espanhol ou assumir que nom sairemos na rádio falando do problema lingüístico-cultural no Berzo.
O problema é que a TV comarcal nom emite nem meio segundo na nossa língua, e nom recolhe as actividades (de FC ou de outros colectivos) sobre o tema. Da TV espanhola na sua desconexom "autonómica" já nem falemos: pensade que é a mesma para o Berzo que para Burgos, Ávila ou Valhadolid, e com isso está tudo dito.
O problema é que as instituiçons (Junta, deputaçom de leom, concelhos vários, mancomunidades,...) passam ampliamente do tema, ignora-no, e nom fam practicamente nada pola língua (salvo contadas exceiçons, como por exemplo a alcaidesa e o concelho da Veiga de Valcarce, do PSOE, que também é a reponsável de Cultura no Conselho Comarcal, e que é umha defensora da língua e cultura autóctona do Berzo, o galego),(ou o próprio Conselho Comarcal, que algumha pequena cousa, pequena mas importante, tem feito).
Esses, e outros, som os problemas do Berzo. E nom parece que a retirada às quarteis de inverno por parte dos reintegracionistas vaia servir para solucioná-los. Antes bem, a nossa presência activa, junto com a de aquelas outras pessoas nom reintegracionistas mas dipostas a embarcar-se neste nave, é a que fará que avanzemos. Pouco a pouco, de certo, mas avancemos. Com mil e um problemas, mas avanzemos. Com mil e um errores, mas avanzemos. E disso é do que se trata.
Porque, como nos ensina a realidade, no tema da normalizaçom lingüística, nom dar passos adiante significa retroceder. E nisso, Galiza tem experiência avonda. Já vai sendo hora de que colhamos experiência em avançar.
Desde logo por mim, e pola corrente ou sensibilidade que eu poda representar nesse sentido no Berzo, nom vai ser. A minha mao sempre estará disposta.
Termino citando o correio que nestes dias me escrevia um bom amigo (por aclarar: nom reintegracionista e do Bloque), referindo-se ao trabalho que FC entidades desenvolve no Berzo: "Alén de nós non existe máis liña de defensa. Non podemos caer".

Nom há mais barricadas onde retroceder. Nom existem os quarteis de inverno. Nom temos retagarda. Desde aqui, so podemos ir cada adiante. Avançar. Avançar. Avançar.


Igor