Alguém sabe como funciona isto?

2.23.2005

Galego na nossa naçom?

Comenta Bretemas, a proposta de ERC no Congresso espanhol, que aparece em galego.org, para estudar todas as línguas oficiais do Estado espanhol dentro do sistema educativo em qualquer ponto desse estado, ao tempo que se potenciam essas línguas dentro nos centros universitários. O que vem significando que, como titula galego.org, podas estudar galego em Alcorcom ou basco no Carbalhinho.
Bretemas, anima aos "nossos" deputados para que tomem cartas no asunto, e apresentem iniciativas semelhantes. Nom estaria mal, mas...

A mim bem me pareceria com que os parlamentários galegos e galegas, em Compostela e em Madrid, se preocuparam e conseguiram que os alunos galego-falantes de fóra da Comunidade Autónoma Galega puderam estudar língua galego com completa normalidade na ESO, em Primária, na Universidade,...
Isso, a dia de hoje, sim que é um repto.Dizer-lhe aos murcianos, aos riojanos ou aos andaluzes, que tenhem que estudar galego (e catalám e basco -e imagino que astur-llionês e aragonês, que algum diar terám que conseguir a oficialidade ou cooficialidade-), quando nom conseguimos que no Berzo, no Eu-Návia, na Seabra e no Val de Elhas podam estudar galego com normalidade (com tanta normalidade como na CAG, quando menos), nom me parece sério.
Nós, como galego-falantes, devemos preocupar-nos de conseguir umha ensinanza digna na nossa naçom, em todos os territórios galego-falantes, cousa que hoje em dia nom ocorre.
E os espanhol-falantes, em todos aqueles territórios, que se preocupem de dignificar a sua ensinanza. Mas, da mesma forma que nom queremos que venham de fóra dizer-nos o que temos/devemos fazer, nom vaiamos nós fóra dizer-lhes o que tenhem/devem fazer.

Penso eu, vaia, com todos os respeitos.

2.21.2005

Arraiando-nos

Levo vários dias querendo escrever algumha cousas sobre o número dous da revista Arraianos, editada pola Asociación Arraianos, de Celanova, e que me chegou por meio do bom companheiro e amigo Baldo Ramos, autor da capa e contracapa da mesma, mas por umhas cousas (1 e 2) ou por outras ainda nom tivera tempo de pôr-me diante do computador. Chegado de Compostela, logo de andar polo Pico Sacro e Carnota, decido escrever estas linhas, pois me parece justo falar do que paga a pena que seja conhecido.

Deste segundo número da revista Arraianos, destaco especialmente as páginas dedicadas à campanha para o reconhecimento da cultura imaterial galego-portuguesa como Património da Humanidade por parte da UNESCO. Junto com este interesante trabalho, publicado baixo o sugestivo título de "A raia é nos@" (e que inclue umha ampla e completa Bibliografia Urgente da Raia , um outro trabalho sobre a vida e a morte na obra de Teixeira de Pascoaes e Otero Pedrayo e ainda um artigo de Pedro Alonso sobre a serra do Gerês, som o mais interesante (aos meus olhos), deste número.

Mas as suas 70 páginas, completam-se com outros muitos textos, trabalhos e notícias, sempre atendendo e tendo como referência a Raia, ou as Raias, existentes no País: poesias de Gabriela Príncipe, Lois Antón, Eduardo Estevez, Franck Meyer, Baldo Ramos, Sechu Sende e este que escreve; apresentaçons de diversos roteiros na zona da Raia; um pequeno texto de Quique Costas sobre Os outros arraianos galegos, os valegos do Ellas, na Estremadura; entrevistas aos académicos correspondentes da RAG, nomeados recentemente: Carlos Varela, do Eu-Návia (Deveria haver um convénio cultural e lingüístico entre as Asturias e Galiza), Domingo Frades, das Elhas (Para nós Galiza supom um enriquecimento muito forte), Felipe Lubiam, da Seabra (O galego aqui desaparecerá unicamente se desaparecem os povos), e Heitor Silveiro, do Berzo (No Berzo vivemos o tema da língua quase como na Galiza se vivia antes da democracia); banda desnhada; recurtes de imprensa; etc...

Estamos ante umha recomendável publicaçom, e ante um interesante colectivo de pessoas, que com esforço e ilusom conseguem achegar-nos a um mundo tam próximo e tam afastado como é o da Raia. Imagino que a revista há-se de atopar com facilidade em várias das poucas boas livrarias e quiosques que temos na Galiza, e desde esta outra Raia, neste caso berziana, animo às leitoras e leitores deste blog a que se acheguem a ela. E é que, como já dijo Vicente Risco, "tu dis que Galiza é bem pequena. Eu digo-che que Galiza é um mundo".

2.15.2005

Siena

Das cousas das que mais gosto quando visita umha cidade ou umha vila é conhecer as suas livrarias. Sempre dedico algum tempo (minutos ou horas, dependendo), a entrar em algumha boa livraria e remexer entre os andeis.
É por isso que quero fazer umha recomendaçom para as pessoas que visitem o Berzo. Nom existem muitas livrarias merecentes de tal nome nesta comarca, ou se existem eu ainda nom dim com elas. E digo que nom existem muitas por nom dizer que só existe umha: livraria Siena, em Ponferrada.
Nom tem página web, assim que nom podo recomendar a sua visita virtual. Mas recomendo, e muito, a visita ao seu local, na rua Antolin López Pelaez, nº 17, umha rua céntrica, paralela à parcialmente peonal Avenida da Espanha, e que também vai desde a Praça de Lazúrtegui até a Praça de Fernando Miranda.
É umha livraria-galeria, que sempre tem exposiçons interesantes. Mas, sobre todo, é umha livraria das que já nom há muitas: com umhas pessoas que sabem que é o que tenhem entre as maos, e com as que se pode falar ainda de livros, arte, cultura e outra muitas cousas relacionadas.
E, por suposto, como som livreiros de verdade, e nom expendidurias de bet-sellers e material de papelaria, tenhem livro galego e português. Junto com as suas boas secçons de poesia, arquitectura, cinema, infantil, etc... podemos atopar livros da Porto Editora ou Caminho, ou de Xerais, Galaxia, Positivas e Abrente Editora, pois contam com um pequeno, mas interesante, fundo dessas editoriais.
Quem venha conhecer o Berzo, que nom esqueza visitar esta livraria. Do melhorzinho da comarca.

2.13.2005

Os inconvenientes de sermos berzian@s

Está que se sae o Diário de Leom nestes dias... Hoje, surprendem-nos, nas suas páginas do Berzo, com umha análise, assinada por Alejandro J. García, que nom di nada que ninguem que viva no Berzo nom saiba, mas que nom aparece normalmente nos meios de comunicaçom massivos, na chamada imprensa "séria", quer dizer, a do sistema.
Que o Berzo sofre umha evidente marginalizaçom por parte primeiro de Leom (capital provincial) e depois de Valhadolid (capital autonómica), é umha cousa que nom se pom em dúvida no Berzo, mesmo o PP e o PSOE denunciam de quando em vez, quando lhe resulta rendível eleitoral ou políticamente, essa situaçom. Mas nom se trata só de discriminaçom no terreo económico ou das infraestruturas. É umha situaçom que se vive no dia a dia em todos os terreos e em todos os aspeitos sociais: também no laboral, no educativo, no cultural,... O que sucede é que ainda nom existe nengumha organizaçom (plataforma, grupo político, organizaçom social, sindical, juvenil, etc.), que seja quem de dar forma a esse sentimento de viver umha situaçom injusta e dote de conteudo a umha ampla campanha de denúncia da mesma.
Nem do PP nem do PSOE, nem de nengumha organizaçom de obediência leonesa ou castelam-leonesa vai poder vir a soluçom. Como tenho dito noutros comentários, assumir realmente a questom berziana supom denunciar e regeitar a actual divisom político-administrativa emanada da Restauraçom Borbónica, e abrir o que para os grandes partidos de obediência espanhola é a Caixa de Pandora da reorganizaçom territorial.
O Berzo nom pode seguir sendo umha comarca sem capacidade para autogovernar-se e decidir o seu futuro livremente, porque isso supom a sua lenta mas segura morte. Dos sectores progressistas, de esquerda, alternativos e revolucionários tem que vir a resposta. E aí deve estar presente a esquerda independentista galega, dinamizando estruturas que possibilitem a confluência desses sectores.
No Berzo estamos a viver o resultado da falta de decissom, valentia e coragem por parte do nacionalismo e o independentismo galego nos últimos 30 anos (como mínimo). Nom devemos repetir essa nefasta experiência. Nom avançar, significa retroceder.

2.12.2005

Maricarmen Lugris

Nom só foi a precariedade a que impediu que pudera actualizar este blog nos últimos dias. Na terça-feira 8 de Fevereiro, terça de entruido (e nom por casualidade), as três menos vinte, morria em Uvieu, onde vivia desde há mais de 30 anos, Maricarmen Lugris.

Maricarmen, irmá da minha mae, artesá, entusiasta e sempre cheia de vida, batalhou contra o cáncer durante os últimos 15 anos, até que nesse dia de entruido, pronta para se poder disfarzar de meiga e sair voando tal e como sempre dijo, decidiu dar a última batalha. Perdeu-na, mas ganhou a guerra. O cáncer ficou dono do seu corpo, mas ela sigue viva.

Na madrugada da terça-feira saimos cara Uvieu, aonde chegamos às sete da manhám. Justo para estar as últimas horas com ela. Morreu rodeada de amigas e amigos. Umha morea de boas pessoas que sempre estiverom ao seu carom nestes últimos anos. É-me practicamente impossível descrever ainda como transcorrerom essas horas, esses dous dias. A emoçom pudo-nos a todas e todos os que lá estivemos. E também a quem, por diferentes causas, nom pudo estar.

Na quarta-feira, às seis e meia da tarde, incineramos o seus restos. Ia vestida com as suas roupas, com um pantalom e um jersei feito por ela. Com um dos seus gorros de lá, morado, com umha pluma, e com os seus zapatos de pementos, dos que tam orgulhosa estava. Com ela, algumhas das suas lás, a sua paixom e substento. Na morgue do hospital, duas horas antes, despedíramo-nos dela recitando alguns poemas em galego, em asturianu e em espanhol, e lembrando algumhas das suas inumeráveis anedotas. A sua memória, que fica em todas as pessoas que tivemos a sorte e o privilégio de conhecé-la, manterá-a viva. Para sempre.

Tal e como ela queria, nom houvo nengum tipo de cerimónia religiosa, nem esquelas, nem cruzifijos. E conseguimos, para respeitar a sua vontade, que as lágrimas nom impediram a presência das risas.

No próximo Sábado, 19, as suas amizades e a sua família reuniremo-nos na Galiza para esparcir as suas cinzas, e mais umha vez, juntos, lembrar-nos dela coa seguridade de que ela estará com nós. De manhám, visitaremos o Pico Sacro, onde esparciremos parte das suas cinzas. De tarde, iremos até Carnota, onde também esparciremos as cinzas e comeremos juntos na sua honra.

Ela queria-o assim. Nom ver-nos tristes e abatidos. Mas contentos e felizes. Lembrando-nos dela diante dumha mesa e com umhas garrafas de vinho. Para brindarmos à sua saude.

Sempre nos dijo que ela um bom dia, cansa, como foi, de tanto luitar contra o cancer, mas contenta e cheia de vida por ter conseguido viver alegre e feliz todos estes anos, colheria umha vasoira e iria descansar a algumha das estrelas do ceu. Sem dúvida, foi assim. E desde lá enriba, mira-nos e brindará com nós. Com um bom vinho tinto e polvo com cachelos.

Foi, sigue a ser, umha mulher excepcional. Única. Mágica.


Na sua memória, traio cá umha poesia de Rosalia de Castro, outra das suas grandes paixons:

Cando penso que te fuches,
Negra sombra que me asombras,
Ao pé dos meus cabezales
Tornas facéndome mofa.

Cando imaxino que es ida,
No mesmo sol te me amostras,
I eres a estrela que brila,
I eres o vento que zoa.

Si cantan, es ti que cantas,
Si choran, es ti que choras;
I es o marmurio do río,
I es a noite, i es a aurora.

En todo estás e ti es todo,
Pra min e en min mesma moras,
Nin me abandonarás nunca
Sombra que sempre me asombras.

Que idioma falavam os reis de "Leom"?

Ainda que esteja em espanhol (nom é tam progre o Diário de Leom como para permitir escrever em galego, e menos nas suas páginas de Opiniom, mesmo que a empresa proprietária seja o Grupo Voz), chamo a vossa atençom sobre este artigo, "Que idioma falavam os reis de Leom?", de Carlos Antonio Bouza Pol, aparecido o dia 10 de Fevereiro, quinta-feira, na página 6 do citado jornal.

Eu, desde logo, nom compartilho muitas das cousas que di o seu autor, mas parece-me interessante. Muito mais, que aquel do Gavela ao que fazia referência há uns dias. E muito mais, sem dúvida, que o que normalmente aparece sobre este tema nos meios de comunicaçom no Berzo como "artigos de opiniom" e que nom som mais que as demostraçons de ignoráncia dos seus autores a respeito da realidade lingüística e cultural da nossa comarca.

Mágoa que o Grupo Voz nom tenha realmente interese na defesa e promoçom da língua galega, porque de ser assim, o Diário de Leom poderia estar fazendo muito pola dignificaçom e normalizaçom lingüística nesta comarca da Galiza, no Berzo.

2.06.2005

A precariedade

Decidim documentar-me para escrever este comentário, para ser claro no que pretendia dizer. Lograria-o?

"Precaridade ou Precariedade s. f. Qualidade de precário", di o e-Estraviz.

E entom fum procurar "precário".

"Precário adj. (1) Que nom oferece garantias de ser estável ou seguro. (2) Débil, frágil: saúde precária. (3) Difícil: condições precárias. (4) Que, emprestado ou concedido, deve ser devolvido. Conceder a título precário: conceder com direito a recuperaçom, sem ter que indemnizar. Sinóns. Contingente, inconsistente, inseguro. Apertado, deplorável [lat. precariu]".

E depois fum procurar "temporal".

"Temporal adj. (1) Que passa com o tempo, que nom é eterno: o homem é temporal. (2) Relativo às cousas materiais: prazeres temporais. (3) Anat. Relativo às partes laterais da cabeça ou fontes da cabeça: nervo temporal. O poder temporal dos papas: poder dos papas, como soberanos territoriais, quando existiam os estados da Igreja. s. m. (1) Grande tempestade: um temporal de neve. (2) O poder temporal. (3) Anat. Cada um dos dous ossos simétricos, laterais, da caixa craniana, que nos vertebrados superiores se situa nas regiões laterais do crânio. (4) pop. Desavença. Sinóns. Temporário, passageiro, provisório, mundano, profano; borrasca, tempestade, tormenta [lat. temporale]".

E, por último, fum procurar "trabalho".

"Trabalho s. m. (1) Acto ou efeito de trabalhar: trabalho manual; nom encontra trabalho. (2) Aquilo em que se trabalha ou se trabalhou: contemplo o seu trabalho. (3) Esforço humano que produz riqueza: lutas do capital e o trabalho. (4) ext. Esforço, actividade de animal ou máquina: um animal de trabalho. (5) Mec. Efeito de uma força que vence uma resistência, medido polo produto da resistência polo caminho percorrido na sua direcçom. (6) Modo como um objecto está executado: esta mesa tem um belo trabalho. (7) Fenómeno que se produz numa substância: trabalho da fermentaçom; o trabalho de certas madeiras pode produzir fendas nelas. (8) Estudo escrito sobre um assunto: um trabalho sobre o problema do marisqueio; um trabalho sobre Pondal. (9) Fís. Funçom trabalho: energia necessária para libertar um electrom de um corpo. (10) Deliberações: os trabalhos da Comissom. pl. (1) Penas, sofrimentos, desgostos: passar trabalhos. (2) Dificuldades: muitos trabalhos passamos para chegar à costa. Trabalhos forçados: pena infamante que consiste no trabalho obrigado e excessivo. Sinóns. Labor, obra, ofício, produçom, serviço, tarefa [de trabalhar ou b. lat. tripaliu]".

E, todo isso junto, Trabalho Precário e Temporal, é o que explica que nos próximos dias tenha problemas para atender este blog. Disimulai-me o problema.

2.03.2005

Leom, Castela, astur-leonés, arameu e políticos (e 2)

Para terminar, por agora, com esta mini-série de comentários sobre o Berzo, organizaçons políticas e língua(s), recuperamos hoje um outro encontro digital. Tam só um dia depois do chat ao que faziamos referência onte, o Diario de León organizava um outro encontro no que participava o candidato por Leom da UPL (Uniom do Povo Leonés) nas eleiçons ao Parlamento espanhol, Pedro Munhoz, alcaide do município berziano de Toreno por essa mesma organizaçom.
Novamente, é perguntado o entrevistado polo tema da língua leonesa. E este alcaide do Berzo, com mais cintura e mao esquerda, e candidato dumha organizaçom leonesista que di defender a língua (leonesa), aposta por umha resposta muito mais politicamente correcta que a do responsável de IU. Transcrevo-a tal qual foi publicada (é a pergunta 19):

Pergunta: "Norabona Pedru: ¿Cuál es la postura de tu partido hacía el leonés?"
Resposta: "La defensa de la nuesa llingua y los nuesos raigones ye una obligación pa la UPL. Puxa'l País Llïonés".

Certo que nom foi perguntado pola língua galega, mas também certo que ele, que conhece, ou deveria conhecer, a situaçom de minorizaçom e falta de promoçom tanto da língua leonesa como da galega no Berzo, deveria fazer umha referência. E é que, se visitades o web da UPL, descobriredes que nom há referência nengumha, nengumha, nengumha nem ao que o alcaide de Toreno chama a "nuesa llingua", nem aos "nuesos raigones". E é que parece que, como os bons políticos de salom, a UPL considera que defender a língua minorizada "ye una obligación" na epoca de eleiçons nada mais.

2.02.2005

Leom, Castela, astur-leonés, arameu e políticos (1)

Levava muito tempo querendo recuperar umha entrevista-chat que o Diario de León publicara durante as últimas eleiçons ao parlamento espanhol, e aproveitando o comentário sobre o Partido do Berzo e a língua galega, animei-me a bucear por internet para dar com ela.
Porque pode que algumhas pessoas que leram o comentário de onte pensem que algumhas organizaçons das citadas podem ser mais receitivas no tema da língua galega no Berzo, e nom todas respondam ao mesmo patrom. Vou pôr portanto um outro exemplo, que ao meu modo de ver, redunda no dito mais abaixo: desde, e desde dentro de, a artificial comunidade autónoma de Castela e Leom é impossível conseguir a plena dignificaçom e normalizaçom da língua galega. E o mesmo pode dizer-se da província: desde dentro da província de Leom é practicamente impossível conseguir umha situaçom normalizada para o galego no Berzo. Mas nom só da língua galega: mesmo é impossível a dignificaçom da lingua leonesa, ou astur-leonesa.

Como poderam ver, no encontro digital que o entom coordenador provincial de Izquierda Unida em Leom, Germán Fernández, mantem com os e as internautas no dia 9 de Março de 2004, a novena pergunta é referida ao tema da língua leonesa. Transcrevo-a literalmente (em espanhol, que é como foi publicada) para que nom haja lugar a dúvidas (e porque a verdade é que se comenta por si soa):

Pergunta: "¿Qué hace o hará su partido por el llïonés?".
Resposta: "Nada, y por el arameo tampoco".

Em nengum momento nos dias e semanas posteriores houvo nengumha rectificaçom ou aclaraçom por parte do tal Germán Fernández ou por parte da sua organizaçom, que, por certo, nom conseguiu obter nengumha representaçom na circunscriçom provincial de Leom.
Esta é a resposta exemplar dum represante dumha organizaçom que se autodenomina "progressista". Imaginemos como será a das organizaçons nom-progressistas...

PD/ Esquecim-me de comentar como é que dim com a citada entrevista. Ainda que nom o creades, foi assim (4ª entrada, 1ª página).

2.01.2005

Um exemplo e umha conclusom

O Partido do Berzo (PB) celebrou um Congresso Extraordinário neste fim de semana passado, e, para além doutros temas, falou também sobre a língua galega. Nom é que tenham dado um grandíssimo passo adiante, mas iniciárom o caminho, e é justo reconhecer-lho. Segundo informa a imprensa, aprovárom, nom sem debate, o compromisso político de protegerem e fomentarem a língua galega, tanto dentro da própria organizaçom, como na sociedade. Além do mais, também acordou permitir o uso da nossa língua a nível interno, nas reunions e assembleias, "sempre e quando haja um tradutor".

Pode que para algumhas pessoas, sobretodo dentro da Comunidade Autónoma Galega (CAG), um compromisso assim seja insignificante. Mas nom é certo. Decerto, muitas pessoas poderemos considerá-lo insuficiente, mas nom é insignificante. Tem muito valor e representa um novo pequeno grande passo de cara a conseguirmos a normalizaçom lingüística no Berzo e no conjunto da Galiza oriental.

Tal e como Fala Ceive tem expresado publicamente aqui e aqui, o desejável seria que outras organizaçons com presença na comarca, como podem ser o PP (que governa em Ponferrada), o PSOE (que tem a presidência do Conselho Comarcal do Berzo), ou IU asumissem posturas semelhantes, mas muito tememos que nengumha dessas organizaçons vai ser capaz de iniciar, como o PB, esse caminho, porque isso significaria enfrentarem-se às suas direcçons provinciais, em Leom, e autonómicas, em Valhadolid. O que demonstra o exemplo do PB, que é umha organizaçom que nom tem dependências mais alá do Mançanal, é que dentro desse ente artificial chamado Castela e Leom é muito dificil conseguir a dignificaçom do galego.