Alguém sabe como funciona isto?

5.13.2005

Lama das Quendas

Com um nome tam atractivo, era difícil que o recital nom saira bem. Já comentei aí atrás, que um bom dia chegou um e-correio de Carme Doval, estudante do IES Lama das Quendas, para falar dos meus livros e convidar-me a um recital de poesia que os seus profes andavam a organizar dentro dumhas jornadas que levavam por título "Semana da poesia". Eu aceitei, claro. E o dia 11 estavamos em Chantada a Maria Lado, a quem também convidaram, mais este seguro servidor.

Ainda estou um pouco alucinado... O recebimento foi boíssimo. As companheiras e companheiros da Carme, e ela também claro, trabalharam sobre os poemas de nós os dous e doutros muitos poetas (Kiko Neves, Edu Estévez, Xela Arias, Lupe Gómez, grupo Rompente, Ronseltz, etc...), e, para além de ter bons conhecimentos da literatura mais recente, eram capazes de conectar com ela, de entendé-la e de fazer leituras novas, distintas, dos livros. Da mao da sua profesora de língua, Susana, figerom uns trabalhos marabilhosos com os poemas. De procurar desenhos e fotos para um poema, até auténticos trabalhos de recriaçom literária a partir dum ou mais textos, passando por apresentaçons dos textos completamente surprendentes. Um poema de Maria, por exemplo, o de Cuqui, o osinho de peluxe, aparecia colgado com pinças, e cumha foto dum osinho. Outra pessoa introduziu vários poemas meus dentro dum cucurucho de cartolina, com a legenda a arma da língua. Os poemas de Rompente apareciam escritos em guardanapos, textos de Ronseltz num rolho de papel higiénico,... o salom de actos estava cheio de estupendos trabalhos. A Mária e eu nom sabiamos para onde mirar.

O recital tivo duas partes. Na primeira hora, cara as 10'30, mais ou menos, umha hora para os mais pequenos, ainda da ESO, e depois, com um café polo meio, duas horas para o alunado de bacharelato. Nesta segunda hora, uns 130 rapazes e rapazas, ateigavam um salom no que permanecerom tranquilamente escuitando o recital. E ainda houvo um grupo de rapazas e rapazes (sobre todo rapazas), que ao rematar seguirom lá, querendo falar com nós, para que lhes dedicaramos algum livro, fazendo perguntas, opinando, etc... Penso que este foi, sem dúvida algumha, o recital mais impresionante de todos nos que tenho participado.

Antes de rematar o recital, figerom-nos entrega de alguns dos seus trabalhos, e ainda tivemos tempo para participar num jogo que nos propugerom. Entregarom-nos um envelope a cada um com um poema nosso, d'A primeira visión para Maria Lado, e de Quen nos defende a nós dos idiotas? para mim, mas recurtado verso por verso, ao estilo dadaista, para ver se eramos quem de recomponhé-lo. Por suposto, nem Maria nem eu o conseguimos, e tivemos que botar mao do texto original, mas vimos que as teorias do dadaismo tinham muito de actualidade e de utilidade.

Foi umha manham estupenda, que rematamos tomando um vinho, comendo e tomando café com umhas pessoas que ajudan a conservar a fé nessa espécie humana chamada "profesorado". A Susana e Manolo, muito obrigado. Ao alunado do Lama das Quendas, novamente o meu reconhecimento e agradecimento. Tenhem muita sorte de contar com essa profe, e a profe tem muita sorte de contar com elas/es.

Eu, e remato, aproveitei para apresentar a minha faceta de Bj (leia-se Bi-lhei), que, igual que o Dj, virá sendo quem mescla livros e cria composiçons novas. Para quê? Pois entre outras cousas para demostrar que isso dos direitos de autor e os copirrais é muito, muito, discutível. Já lhes expliquei que o seguinte poema (?), da minha (?) autoria (?), é um plágio (?) e ao mesmo tempo umha compossiçom completamente nova (?). Chegaram a pagar-me direitos de autor por aproveitar-me do trabalho que outras pessoas já realizaram?


Casa Skylab*

Quando se nega o dia a escalar o corpo dos altos edifícios
mostrando fragmentos de estrelas proibidas
onde a penas existem feridas que se esquecem
porque nos arrodean os poldros perdidos da brétema

Alta cidade tinguida pola névoa
Na cidade chove em amarelo
umha água fresca que me encelma a língua
e umha música lonxana esvaendo-se

Desde a opaca pátina do balcom pechado
no abissal fundo dos oceanos
venhem lentas as fías dos remorsos
No meio da rua
grosseira inculta e pouco delicada
em um jardin que tarde ou cedo há engolir o asfalto
memória do que queremos esquecer
ainda há algo a reclamar-nos

Som tempos de olhar a chuva
invernía no lento fluír dos almanaques
Será a emoçom quanto vale nesta terra?
De cada cidade agroma o aroma dum mistério
fronte ao mar equivocado
Como sei que ti e eu nos queremos
* O título é de Santiago Jaureguizar e os versos de: Celso Álvarez Cáccamo, Luisa Villalta, Miro Villar, Anxo Angueira, Xohana Torres, Fran Alonso, Antón Avilés de Taramancos, Xosé Luís Santos Cabanas, Yolanda Castaño, José Alberte Corral Iglesias, Ana Romani, Emma Couceiro, Lois Pereiro, Pilar Pallarés, Marta Dacosta, X. Antón L. Dobao, Eduardo Estévez, Carlos Negro, Estíbaliz Espinosa, Alberte Momán, Franck Meyer, Maria Lado.

8 Comments:

Blogger From Hell said...

a verdade é que recitais como ese hai poucos na vida... parabens.
Parabens tamén polo poema pirata

4:16 da tarde

 
Blogger tangaranho said...

Igor, definitivamente és um génio. E, desde logo, sim, há que estar agradecid@s a aqueles professores e professoras de galego que acreditam no que fam, que os há. Alguns fam um labor francamente exemplar.

5:42 da tarde

 
Blogger edu said...

sorte tiveches, neno... eu tamén lembro algún recital bonito en institutos, pero iso que contas provoca moita envexa.

canto ao poema, xa terás que falar co meu avogado.

10:37 da manhã

 
Blogger usa said...

Para nos tamén foi un encontro inolvidabel, esperamos que non pase moito sen que volvas por aiqui. Grazas por atendernos e ter paciencia con nós.

11:29 da manhã

 
Blogger usa said...

realmente foi un recital mar+abilloso. Grazas por traernos os teus poemas ao corazón (de Galiza), grazas pola túa poesía e, como non, grazas por todas as facilidades que nos diches e toda a túa axuda para poder facer realidade este soño que comezara no curso pasado, cando navegabamos polas tan ansiadas e procuradas Letras de Cal, cando pensabamos que os poetas novos podían achegar unha nova Galiza ao corazón dos nosos alumnos e alumnas. Dende a onda máis profunda un agradecimento inmenso para unha persoa inmensa en xenerosidade e poesía.
Susana

1:15 da manhã

 
Blogger usa said...

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1:15 da manhã

 
Blogger mariademallou said...

concerto, foi unha experiencia xenial, eu tamén quedei gratamente sorprendida.

12:27 da tarde

 
Blogger mariademallou said...

e parabéns polo teu labor de bj

12:27 da tarde

 

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